“Enquanto metade da humanidade não come, a outra metade da humanidade não dorme, com medo daquele que não come”

(Josué de Castro)

O emérito brasileiro, Josué Apolônio de Castro,  pernambucano, médico, nutrólogo, indicado uma  vez  ao Prêmio Nobel de Medicina (1954) e duas vezes concorreu ao Prêmio Nobel da Paz (1963, 1970). Publica em 1946 o livro Geografia da Fome do qual registra o flagelo da fome no Brasil. A publicação deste livro estimulou  a reflexão entre o pão de cada dia e o aço pela industrialização do Brasil.

Foi um cientista cidadão que ao ter como tese que subdesenvolvimento é fome e a problemática é política, revela ao mundo a genialidade de novos conceitos e a reação perversa das elites brasileiras que colocaram-no como subversivo o que determinou seu exílio do país. Mas não conseguiram exilar suas idéias que vão ser cruciais para o mundo mudar sua visão sobre os determinantes sociais e políticos da fome e da miséria. Sua obra revela que o sistema de exploração da terra no Brasil com base na monocultura de cana de açúcar,  a herança da mão de obra escrava e  os latifúndios, eram os pilares da  miséria e da fome, da qual a resistência  a reforma agrária pela elites brasileiras perpetuava a desigualdade social. O livro Geografia da Fome traz como contribuição  novos paradigmas sobre a  fome pelo questionamento de sua compreensão somente pela ótica patológica-nutricional para inserir a dimensão política. Os mapas presentes no livro, revelaram ao mundo conceitos interpretativos com base na descrição geográfica de territórios alimentares e dos conceitos de fome endêmica e epidêmica.

No século XX no Brasil, seus conceitos orientaram estudos de mapeamento geográfico da miséria, da pobreza e da fome, pelo critério de renda desenvolvidos por diversas instituições governamentais por meio da elaboração de linhas de pobreza e indigência.

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Pitada de Opinião, sessão composta por conteúdos produzidos pelo observatório sobre as dimensões simbólica, cultural e econômicas do alimento, incluem entrevistas, sugestões de livros, filmes e outros materiais, bem como, relatórios e documentos finais de pesquisas realizadas pelos integrantes do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin e/ou organizações parceiras.