O Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA) nesta edição do FOME DE SABER apresenta o tema “Feiras populares: lócus de estudos e pesquisas sobre a construção social do gosto para a compreensão de hábitos alimentares brasileiros”, com o propósito de refletir as feiras populares do Brasil como espaços de estudos e pesquisas sobre alimentação humana.

Tradicionalmente, o conhecimento sobre hábitos alimentares tem sido desenvolvido por meio de investigações em domicílios, grupos sociais rurais, urbanos e tradicionais. Mas o reconhecimento da importância de identificar outros espaços de investigações tem sido realizado por inúmeros pesquisadores brasileiros em busca de refletir outros aspectos da atual modernidade alimentar.

O advento de pesquisas, principalmente de forte componente etnográfico em feiras populares, tem crescido como estratégia de compreensão sobre a importância histórica e contemporânea de resistência destas feiras ao modelo massificado imposto pelos interesses da indústria. agroalimentar.

O OBHA apresenta nesta edição estudos e pesquisas sobre o papel das feiras na construção social do gosto. Tanto como patrimônios alimentares materiais e imateriais de distinção de modos de consumo e de práticas socialmente construídas e constantemente reconstruídas pela sabedoria popular como também espaços de linguagens e significados sobre alimentação adequada e saudável praticados pela população.

As trocas simbólicas de conhecimento, das práticas alimentares, de culinárias e de comensalidade são outros aspectos destacados nos textos desta edição. Os discursos entre feirantes e fregueses revelam que o espaço e o tempo se colocam no cotidiano das escolhas alimentares como trocas afetivas de memórias coletivas e individuais. A alimentação se constrói de forma agregadora, em que o gosto, a socialidade, o prazer e a saúde estão holisticamente associados a outros aspectos da vida humana. Isto nos permite refletir as feiras como lócus de estudos e pesquisas privilegiado para a compreensão da experiência biológica social e simbólica-cultural da alimentação humana.

Assim, esperamos que este tema estimule ainda mais a reflexão das feiras populares com espaços de estudos e pesquisas para a promoção a alimentação adequada e saudável de patrimônios alimentares e culinários que devem ser afirmados e preservados para a sociedade brasileira.

(*) Crédito da foto destacada | Feira de Niterói/RJ.