Documentário Fonte da Juventude será exibido na Fiocruz, em Brasília

Documentário Fonte da Juventude será exibido na Fiocruz, em Brasília

Plataforma de conscientização mostrando a biodiversidade como solução para superar a má nutrição no país, exibição será seguida por debate

No dia 6 de julho, o Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares da Fiocruz em Brasília irá exibir o documentário Fonte da Juventude, iniciativa dos Novos Urbanos com produção da Pindorama e direção de Estevão Ciavatta.

Importante peça de comunicação e conscientização sobre o ambiente alimentar no Brasil, o filme conta com entrevistas com gente como José Graziano, diretor-geral da ONU para Agricultura e Alimentação; Gisela Solymos, psicóloga responsável pelo Centro de Recuperação e Educação Nutricional; Maria Eduarda, nutricionista do INCA; o chefe de cozinha Alex Atala; a culinarista e apresentadora Bela Gil; entre outros; que revelam exemplos de como a biodiversidade aliada ao resgate da nossa identidade cultural alimentar é o melhor caminho para a longevidade.

Marcado para iniciar às 16h, a exibição será seguida por um debate com Estevão Ciavatta, diretor do documentário; Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Denise Oliveira, coordenadora do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares da Fiocruz Brasília.

“Sem restringir dietas, ou mesmo dar receitas, a produção apresenta a biodiversidade como a chave para conhecermos os segredos da Fonte da Juventude”, diz Ciavatta.

Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, passa por uma transição em que, ao mesmo tempo em que se assiste à redução contínua dos casos de desnutrição, são observadas prevalências crescentes de excesso de peso, contribuindo com o aumento das doenças crônicas não transmissíveis e associadas às causas de morte mais comuns atualmente, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares, diabetes e ascensão de algumas neoplasias malignas.

“Nesse cenário, o documentário vem como uma importante peça de comunicação e faz um convite para um diálogo sobre o ambiente alimentar, expande o olhar para entendermos a obesidade como uma externalidade de um encadeamento de relações. O problema é complexo, estamos descobrindo que a obesidade mata tanto quanto a fome”, explica Denise Chaer, diretora do Novos Urbanos, plataforma de diálogo para a inovação social e que reuniu mais de 40 instituições e juntos construíram um mapa do ambiente alimentar que serviu como base para o desenvolvimento do roteiro do filme que promove diálogos entre empresas, sociedade civil, academia e governo.

 

A transformação começa no prato

Um dos pontos discutidos em “Fonte da Juventude” é o fato de que frutas, verduras e legumes sumiram do prato dos brasileiros e quem mais sofre com isso são as crianças.

De acordo com a OMS, chegamos a primeira geração de crianças com uma expectativa de vida menor do que a dos pais.

Para fomentar o diálogo nas escolas, o Novos Urbanos convidou a USP e o CREN para criarem roteiros de aulas dirigidos ao Fundamental I e II que estarão disponíveis gratuitamente no VideoCamp a partir do lançamento do documentário.

“Queremos criar uma mobilização a fim de estimular o consumo de frutas, legumes e verduras especialmente entre as crianças. A campanha Fonte da Juventude foi inspirada no plano nacional de segurança alimentar que aponta o aumento do consumo de frutas, legumes e verduras como uma das principais ações para combater a obesidade”, explica Denise.

Desvendando o quadro alarmante, o documentário percorre os quatro cantos do país revelando que o problema está presente, mas que é possível combater as estáticas. “É um filme propositivo, que complexifica os desafios do ambiente alimentar do Brasil e traz soluções encontradas por brasileiros de diferentes classes sociais”, finaliza Estevão.

O documentário estreia nos cinemas do Rio e de São Paulo no dia 29 de junho, mas também está disponível na plataforma digital Videocamp em http://www.videocamp.com/pt/movies/fonte-da-juventude

 

Ficha Técnica:

– Direção e Roteiro – ESTEVÃO CIAVATTA

– Produção Executiva – SUSANA CAMPOS e DENISE CHAER

– Direção de Fotografia – DUDU MIRANDA E ALEXANDRE RAMOS

– Imagens Aéreas: FERNANDO ACQUARONE

– Imagens adicionais: CARLOS NASCIMENTO

– Direção de produção: FABIO BRUNO

– Assistência de Direção e Pesquisa: RAQUEL VALADARES

– Assistentes de Produção: RENATA CARPENTER E ANTONIO ARRAES

– Finalização: DANIEL SANDES E PEDRO MUNDIM

– Montagem – BERNARDO PIMENTA

– Trilha Sonora – MARAVILHA 8

– Videografismo: SUPERUBER

– Realização: PINDORAMA FILMES e NOVOS URBANOS

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A interface da Segurança Alimentar e Nutricional com as feiras livres: (re)construindo hábitos alimentares

A interface da Segurança Alimentar e Nutricional com as feiras livres: (re)construindo hábitos alimentares

Camila Irigonhé Ramos (*)

Aqui são apresentados alguns dos resultados da pesquisa desenvolvida, enquanto dissertação de Mestrado, junto ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Alimentos da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)[1]. O estudo foi motivado pela reflexão da pesquisadora sobre sua prática acadêmica e profissional. Para tanto, observou-se o distanciamento – nas orientações nutricionais e práticas alimentares – que o consumidor mantém com o alimento e, consequentemente, em relação ao produtor (o agricultor). A pesquisa foi desenvolvida sob a perspectiva da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e sob inspiração da Antropologia da Alimentação.

Lançado em 2010, o relatório “A Segurança Alimentar e Nutricional e o Direito Humano à Alimentação Adequada – Indicadores e Monitoramento”, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), contém sete dimensões de observação da SAN. No que tange o interesse do estudo aqui apresentado, destaca-se a primeira delas; isto é, a que aborda o monitoramento da produção e disponibilidade de alimentos [2]. Nesse item, é apontada a produção e disponibilidade de frutas, legumes e verduras (FLV), uma vez que tais alimentos fazem parte de uma alimentação adequada e saudável.

No entanto, o consumo de FLV é apenas um dos estágios dessa cadeia de relações, que apenas se realiza a partir da produção e comercialização de tal grupo de alimentos [6]. Sendo assim, é indispensável considerar os aspectos biológicos, culturais, ambientais e econômicos que permeiam o cultivo, a comercialização e a escolha da ingestão de FLV.

Do ponto de vista histórico, as primeiras formas de comercialização destes produtos remetem às feiras livres [3]. Esses espaços podem ser considerados potenciais modificadores da forma de se alimentar do povo brasileiro. Tal entendimento parece ser o que norteia as políticas públicas, já que uma das ações da publicação do Ministério da Saúde, lançada há cinco anos, consiste em “incentivar a consolidação das feiras locais, como instrumento de melhoria para a seleção e aquisição de alimentos saudáveis” [4] (p. 7).

Desse modo, as feiras podem constituir-se em um canal de reaproximação entre produtor e consumidor, associadas à redescoberta de um sistema alimentar influenciado e enfraquecido por pelo menos dois acontecimentos que destacamos a seguir. O primeiro remete à Revolução Verde, em que ocorreu a adoção de um pacote tecnológico e a utilização intensa de agrotóxicos, adubos químicos e outros fertilizantes. Nesse contexto, também se deu o aumento das despesas com o cultivo e o endividamento dos pequenos agricultores, o crescimento da dependência dos países, do mercado e da lucratividade das grandes empresas de insumos agrícolas [5]. O outro acontecimento está diretamente relacionado com a padronização da alimentação, em um contexto de industrialização da comida, que ocasionou à perda de características próprias das culturas alimentares. Esse processo fez com que os consumidores passassem a conhecer apenas o produto final que acabam por ingerir [6].

No município de Pelotas, no Rio grande do Sul, espaço utilizado para a realização da presente pesquisa, existem dois tipos de feiras – convencionais e ecológicas-, que são nomeadas (pelos feirantes e pela gestão municipal) de acordo com o modo como se realiza a produção de alimentos. O presente estudo objetivou caracterizar as feiras livres, os feirantes e as FLV comercializadas nestes locais, procurando, assim, apreender, sob o ponto de vista dos feirantes, como ocorre e é valorada a produção e comercialização de tais alimentos.

Nas feiras convencionais, os alimentos são comercializados por produtores e/ou revendedores e, na produção das FLV não há restrição quanto à utilização de insumos. Neste local são comercializadas FLV que são produzidas em todo o país. Já nas feiras ecológicas, os alimentos são vendidos somente por produtores e produzidos regionalmente sem utilização de agroquímicos.

Cabe salientar que, durante o percurso metodológico, utilizou-se, concomitantemente, os métodos quantitativo e qualitativo, o que se mostrou decisivo para os resultados alcançados. Para a coleta dos dados partiu-se, inicialmente, de inserções em feiras dos dois tipos. As entradas de campo e as coletas, guiadas pelas duas abordagens, ocorreram no mesmo período, mas de modos distintos. Na obtenção das informações que ocorreu por meio do corte transversal, elaborou-se e utilizou-se – após estudo piloto – um questionário com questões fechadas (foram incluídas variáveis demográficas, socioeconômicas, relacionadas ao trabalho dos feirantes e às FLV.), o qual foi aplicado ao proprietário de cada banca (conforme indicação dos próprios feirantes ou por meio do cadastro dos feirantes na Prefeitura) que estavam presentes durante o período de coleta dos dados e aceitaram participar da pesquisa.

Na coleta de dados, cujo elemento foi a inspiração etnográfica, empregou-se as técnicas de entrevista semiestruturada (ao dono da banca indicado pelos feirantes), observação participante e diário de campo. Tais procedimentos foram utilizados nos espaços das feiras junto a 14 feirantes. O contato se deu nos momentos considerados mais oportunos pelos interlocutores. As entrevistas foram guiadas por pontos de interesse, que auxiliaram no direcionamento das conversas. Com a concordância dos participantes, todas as respostas foram gravadas e, posteriormente, degravadas e analisadas.

A participação de todos os feirantes, nas duas etapas da pesquisa, foi voluntária e a aplicação do questionário, ou a realização da entrevista, ocorreu somente após o entendimento e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Salienta-se, ainda, que o presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina/UFPel.

Os resultados encontrados revelaram que a cidade conta com aproximadamente 40 locais de feiras, distribuídos, principalmente, na zona central. Os feirantes apresentaram-se como somente produtores, produtores e revendedores ou somente revendedores. Os feirantes que apenas compram e revendem os alimentos constituem a maior parte dos comerciantes. As feiras foram classificadas como convencionais e ecológicas, sendo nomeadas de acordo com o tipo de produção empregado no alimento. Mais de 90% das feiras são convencionais, existindo apenas três pontos de feiras ecológicas no município. Os valores atribuídos aos alimentos e as relações estabelecidas – tanto com as FLV quanto com os fregueses – revelaram-se de maneiras distintas na abordagem dos feirantes ecológicos e convencionais. Para os primeiros, há uma relação de cuidado com o alimento e com o freguês, que é trabalhada em conjunto com a importância financeira do comercio de FLV. Para os demais, o que predomina é apenas a relação de mercadoria que está associada à venda dos alimentos. Da mesma forma, os feirantes ecológicos relataram que os seus fregueses buscam por qualidade e procedência. Por outro lado, segundo relatado pelos feirantes convencionais, os seus fregueses procuram as FLV levando em conta, prioritariamente, a aparência dos alimentos.

Como no transcorrer deste estudo procurou-se refletir sobre as relações estabelecidas com os alimentos, seu processo de produção e comercialização, entende-se que, para promover a SAN, é importante considerar o alimento como componente do ato de comer. Essa tomada de posição ajuda a pensar sobre o caminho, as pessoas e as relações envolvidas neste processo.

Ao concluir a pesquisa foi possível perceber que a maioria das feiras está localizada no centro da cidade, dificultando a disponibilidade e o acesso às FLV para a população que vive nos bairros. Vale ressaltar, também, que a maior parte dos feirantes não produzem os alimentos que comercializam e, aqueles que o fazem, utilizam a produção convencional.

Diante desses resultados, e dos valores que produtores e revendedores (ecológicos e convencionais) agregam às FLV ,- e, consequentemente, às relações estabelecidas com  aqueles que se abastecem nas feiras – ressalta-se que, compreender esses fatores torna-se imprescindível para a promoção da SAN, pois esses elementos influenciam no acesso e consumo de FLV e na construção dos hábitos alimentares.

No âmbito da saúde pública, entende-se que, para modificar as relações estabelecidas com a alimentação e aumentar a produção e comercialização de FLV, deve-se incentivar, por meio de políticas públicas, os agricultores familiares, principalmente de base ecológica, e reaproximar o consumidor do produtor. Além disso, é necessário que os profissionais da saúde abandonem a rigidez das normas alimentares e desenvolvam ações de educação alimentar e nutricional dialógicas. Práticas que se destinam ao empoderamento individual e devem estar voltadas para uma alimentação derivada de um sistema alimentar capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e ambientalmente sustentável.

Referências

1 – Ramos, Camila Irigonhé. Frutas, legumes e verduras nas feiras-livres de Pelotas e sua contribuição na segurança alimentar e nutricional. Pelotas, 2015. 132 f.

2 -Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional. A Segurança Alimentar e Nutricional e o Direito Humano à Alimentação Adequada no Brasil Realização -Indicadores e Monitoramento – da constituição de 1988 aos dias atuais. Brasília, 2010

3-Panelli-Martins BE, Santos SMC, Assis AMO. Segurança Alimentar e Nutricional: desenvolvimento de indicadores e experimentação em um município da Bahia, Brasil. Rev. Nutr.,Campinas. 2008; 21 (suplemento): p.65-81

4- Ministério da Saúde. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Ações de Incentivo ao Consumo de Frutas e Hortaliças do Governo Brasileiro. Brasília, 2009

5- Maluf. RS , Menezes F. Produção de alimentos e equidade social. Caderno “ Segurança Alimentar” 2000.

6 – Contreras J, Gracia M. Segurança e Insegurança Alimentar. In: Alimentação, sociedade e cultura. Rio de janeiro: Editora Fiocruz, 2011. P.333-388.

7- Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa (Po): Edições 70; 2011

8-Moraes R. Análise de Conteúdo. Revista Educação. 1999; 22 (37): p. 7-32

(**) Créditos da foto: Camila Irigonhé Ramos

Camila é nutricionista. Professora do curso de Nutrição na Faculdade Anhanguera. Doutoranda no PPG em Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas – UFPel. Mestra em Nutrição e Alimentos/ UFPel. Especialista em Saúde Pública, graduada e pós-graduada pela UFPel e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde realizou a pós-graduação na modalidade de Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Nutrição em Saúde Pública, Atenção Primária à Saúde, Núcleo de Apoio a Saúde da Família, Apoio matricial, Educação em Saúde, Educação popular, Segurança Alimentar e Nutricional, Alimentação, sociedade e cultura. Atua com ênfase no trabalho multiprofissional e interdisciplinar.

Festas Juninas

Festas Juninas

Junho chegou e com ele as deliciosas Festas Juninas!

Fortes pelo tradicionalismo, as festas juninas surgiram para comemorar a chegada do verão no hemisfério norte e se consolidaram mais tarde como uma festa religiosa para celebrar os dias dos santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio.

Trazidas pelos portugueses, encontraram no Brasil com as influências africanas, indígenas e de outros países europeus para formar uma festa que é só nossa. Famosas por todo o Brasil, as festas juninas carregam as singularidades de cada região, porém as principais comidas típicas, trajes e danças se repetem por todo o país.

As barraquinhas de comida estão recheadas com as mais diversas e gostosas preparações. Como junho é a época da colheita do milho, esse alimento é utilizado na preparação de várias das comidas típicas da festa. Temos pamonha, curau de milho verde, milho cozido, canjica, pipoca, bolo de milho. Além, é claro, do quentão, pé de moleque, paçoca, arroz-doce, cocada, bolo de fubá e diversos caldos.

Em algumas cidades, principalmente no Nordeste, além de alegrar o povo, as festas juninas são tão famosas que funcionam como atrativo turístico, gerando recursos econômicos.

Como o São João de Caruaru em Pernambuco que tem festejos espalhados por todos os bairros durante todo o mês de junho. A festa conta com o “Festival de Comidas Gigantes”, onde a vizinhança se reúne para preparar o Maior Cuscuz do Mundo, o Maior Caldinho do Mundo, a Canjica Gigante, o Maior Cozido de Milho do Mundo, o Maior Quentão do Mundo, o Bolo de Milho Gigante e muito mais.

Essa e algumas outras Festas Juninas espalhadas pelo Brasil estão listadas a baixo. Se na sua região também tem alguma que não pode faltar nessa lista, mande pra gente!

 

São João de Caruaru

Local: Caruaru – Pernambuco

Data: 03/06 – 29/06

Mossoró Cidade Junina

Local: Mossoró – Rio Grande do Norte

Data: 02/06 – 02/07

Cidade Junina

Local: Teresina – Piauí

Data: 10/17 – 17/17

Festa de São João

Local: Campina Grande – Paraíba

Data: 02/06 – 02/07

 

Foto da Festa Junina de Campina Grande: Fonte

Projeto que objetiva registrar e popularizar as datas e localidades onde ocorrem festejos e comemorações com o foco em práticas e preparos culinários brasileiros. Participe você também preenchendo este formulário!

Documento aponta avanços e retrocessos na garantia do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas no Brasil

Documento aponta avanços e retrocessos na garantia do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas no Brasil

Matéria publicada pela Fian Brasil no dia 2 de Junho de 2017.

A FIAN Brasil lança, no dia 9 de junho, a publicação “Da democratização ao golpe: avanços e retrocessos na garantia do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição no Brasil”, que analisa a situação desse direito humano desde a Constituição de 1988 até o período atual, com foco nos retrocessos vividos após o golpe de estado de 2016. O lançamento acontece às 14 horas, no Instituto Bíblico de Brasília.

Organizada em quatro partes, a publicação aponta os avanços e analisa os retrocessos nas áreas de proteção social e combate à fome, de produção e consumo de alimentos sustentáveis, bem como o aumento da violência institucional e da criminalização das lutas sociais. “A proposta deste documento é registrar avanços e retrocessos deste direito no Brasil, denunciando graves violações que estão, em ritmo acelerado, relativizando direitos constitucionalmente garantidos. Seus impactos já são sentidos e poderão se agravar”, aponta a secretária geral da FIAN Brasil, Valéria Burity.

Entre os avanços apontados na publicação, estão as políticas de combate à fome e as quedas constantes no índice de insegurança alimentar, entre 2004 e 2013, quando atingiu o patamar histórico de 3,2%, dado que retirou o Brasil do Mapa da Fome das Nações Unidas. Do ponto de vista institucional, a publicação destaca como avanços a reinstituição do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) em 2003, a aprovação da Lei Orgânica da Segurança Alimentar e Nutricional em 2006 (LOSAN – Lei 11.346/2006) com a consequente criação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), e a aprovação da Emenda Constitucional nº 64, que inclui a alimentação no rol de direitos sociais da Constituição Federal do Brasil (CF/88).

Sobre a qualidade da alimentação e a sustentabilidade dos modelos de produção, o documento critica também a atuação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). “Se nas últimas décadas o Estado brasileiro avançou em sua capacidade de ampliar o acesso à alimentação e a proteção social às famílias mais vulneráveis à fome, por outro lado facilitou a estruturação de um modelo de produção e consumo de alimentos que gera graves violações ao DHANA”, aponta trecho do documento. Entre estas violações, destacam-se a ausência de reforma agrária; a falta de garantia à terra/território para populações negras, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais; maior apoio ao agronegócio em detrimento ao apoio à agricultura familiar; a liberação do cultivo de transgênicos; a falta de regulação efetiva em relação ao uso de agrotóxicos, entre outras.

“Este informe é uma leitura a partir da ótica do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas, da Soberania e da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Não temos a pretensão de apontar todos os iminentes retrocessos, mas sim, aqueles que nos pareciam, no momento de produção do documento, como mais graves e estruturais, considerando as obrigações que o Estado brasileiro assumiu quando adotou tratados internacionais de direitos humanos”, ressalta Valéria Burity.

Parcerias

O informe é uma iniciativa da FIAN Brasil, com apoio do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), e contou com apoio financeiro de Pão Para o Mundo (PPM) e Misereor.  Após o lançamento a publicação estará disponível para download.

FIAN Brasil

A FIAN Brasil é uma seção da FIAN Internacional, organização de direitos humanos que trabalha há 30 anos pela realização do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (DHANA). No país desde 2000, a FIAN Brasil realiza o acompanhamento e monitoramento de casos de violações de direitos humanos, bem como ações de incidência, advocacy e articulação na área de direitos humanos e direitos correlatos, com ênfase no DHANA.

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Das agroflorestas ao conceito de promoção à saúde – pulsos de vida por meio da alimentação

Das agroflorestas ao conceito de promoção à saúde – pulsos de vida por meio da alimentação

Aconteceu na última segunda-feira, 29 de maio, no auditório interno da Escola de Governo Fiocruz Brasília o segundo encontro do Ciclo de Palestras 2017 – CSA e Saúde, uma atividade promovida pelo projeto Portas Abertas do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares – OBHA e a rede CSA Brasília. O evento anterior apresentou o conceito de CSA – Comunidade que Sustenta a Agricultura, e sua relação com o tema dos Patrimônios alimentares. Dessa vez, a agrônoma e agricultora Fabiana Penereiro e o professor doutor Carlo Zenetti abordaram o tema da relação entre CSA e Agroflorestas e Promoção da Saúde, respectivamente.

Fabiana apresenta a experiência da CSA Altiplano Leste que produz seus alimentos de forma agroflorestal. As agroflorestas baseiam-se nos princípios da diversidade e da transição sucessional das plantas que se apoiam mutuamente em diferentes estágios e ciclos. A Agricultura Sintropica tem como base os estudos e experiências sistematizadas pelo agricultor e pesquisador suíco Ernest Götsch que desenvolve sistemas agroglorestais no Brasil há mais de 20 anos.

Assim como no CSA o preço vira apreço e são outras as relações entre as pessoas que estão envolvidas nesse processo, no caso, os/as agricultores/as e coagricultores/as; conforme a afirmação da Fabiana “o solo deixa de ser substrato para ser um organismo vivo” exemplifica como cada elemento e ser vivo que integra a terra e o processo de produção de alimentos é importante. Da incorporação de adubação verde às minhocas, tudo é importante e sinérgico para gerar e manter vida.  A agrofloresta no Altiplano Leste é uma experiência exitosa que ao longo dos seus doze anos de existência apresenta fatos que demonstram os benefícios desse sistema alimentar, por exemplo: o surgimento de 15 novas nascentes em seu território; a mudança na paisagem; a oportunidade de materializar uma CSA.

A primeira palestra foi muito bem articulada com o compartilhamento teórico de Zanetti sobre os conceitos de saúde e promoção da saúde. Uma caminhada pela filosofia e sociologia que completou ainda mais os sentidos e significados trazidos pela primeira palestrante. Compreender saúde não como sinônimo de ausência de doença, mas como pulso emergente para manutenção da vida, nos permite avançar na associação entre as práticas vividas pelas CSAs e as técnicas oferecidas pela lógica da agricultura sintrópica.

A construção do conceito de saúde, segundo o professor, é uma construção social que permeia o imaginário das sociedades e é um dos elementos que norteia as práticas de saúde, especialmente em seu sentido mais restrito que são os serviços de saúde. Zenetti compartilha que é necessário dar atenção aos aspectos da saúde que se associam a vida, a manutenção da vida e busca por vida, que todos os seres imersos não só nas realidades sociais, mas na terra como um todo estão nesse movimento pulsante de manifestar vida e isso é saúde.

Assim, a promoção de saúde pode se expressar não somente nas práticas de tratamento de doenças, mas também em espaços comunitários e associativos como as CSAs. Propõem que os processos de cura, que tanto buscamos, podem ser encontradas em agroflorestas, hortas comunitárias ou espaços de convivência. Também, sugere que esse processo de promoção da saúde, ao extrapolar as dimensões dos serviços de saúde pode ser instrumento para que as pessoas alcancem autonomia na busca pelo completo bem-estar físico, social e mental. Essa completude, por vezes pode ser uma caminhada incessante, talvez impossível de ser alcançada, mas motivadora e disparadora de muitos processos positivos.

Após as exposições abriu-se para considerações da plateia que compartilhou seus saberes com entusiasmos e empolgação. Compartilhou-se desde percepções pessoais sobre as mudanças climáticas e resultados da ação humana predatória no bioma Cerrado a sugestões de livros, documentários e outros materiais que somam as aprendizagens sobre a relação da humanidade e o meio ambiente, alfabetização ecológica e práticas sustentáveis. As falas dos palestrantes foram transmitidas ao vivo pela fanpage do observatório e podem ser apreciadas pelos seguintes links: agrofloresta e CSA; promoção à saúde e CSA. O próximo encontro será dia 26 de julho, às 19h, nas dependências da Fiocruz Brasília.

Compartilhe com as pessoas que você imagina terem interesse sobre esse assuntos. Acompanhe a página do observatório e fique por dentro das atividades.

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