OBHA no 8º Festival Internacional de Cinema, Alimentação e Cultura – Comida de Refugiados e Imigrantes

OBHA no 8º Festival Internacional de Cinema, Alimentação e Cultura – Comida de Refugiados e Imigrantes

O 8º Festival Internacional de Cinema Alimentação e Cultura – Slow Filme -, aconteceu entre os dias 14 e 17 de setembro na cidade de Pirenópolis. Este ano o OBHA esteve presente e pode acompanhar algumas atividades e filmes sobre a temática proposta: Comida de Refugiados e Imigrantes.

Durante os 4 dias de festival, foram exibidos vinte filmes inéditos entre curta e longa metragens produzidos em diferentes países. Muitos dos filmes exibidos apresentaram culturas e heranças alimentares locais, bem como, histórias de apropriações de determinadas receitas culinárias. A tentativa da curadoria de seleção dos filmes foi apontar a homogeneização cultural em uma época do multiculturalismo alimentar desenfreado. Há necessidade hoje do resgate da identidade das práticas culinárias dos povos ancestrais e comunidades tradicionais, que surgem cada vez mais glamourizadas pela gastronomia e apropriadas pelo grande mercado econômico global. Essas foram as questões centrais levantadas em vários filmes como no Faça Homus, Não Faça Guerra e também em Sagardoa Bidegile – Histórias de Sidra.  

À direita: Fatou Aboua, ao seu lado, Maria Conceição Oliveira.

Além dos filmes, aconteceram oficinas culinárias e falas de convidados especiais como a de Fatou Aboua, natural da Costa do Marfin, que ofereceu um almoço com comida típica da sua região no último dia do festival. A africana imigrante contou sobre sua chegada no Brasil em busca de uma vida melhor e longe da guerra e como que o gosto e o amor por cozinhar, presente em sua vida desde criança, lhe abriu uma janela de oportunidade como meio de sustento em um novo país.

Outra convidada muito especial do Slow Filme que o OBHA teve a oportunidade de ouvir e conhecer, foi a cozinheira e pesquisadora da cozinha negra afro-brasileira Maria Conceição Oliveira que integra o projeto Comida de (I)migrante e também trabalha ministrando oficinas na tentativa de recuperar receitas e reafirmar a memória de seus antepassados. A pesquisadora nos contou que tem como missão “recuperar autoestima e fortalecer o protagonismo das diásporas negras na cozinha”, como afirmou durante a sua fala na segunda noite do festival.  Logo no início da sua explanação, fez questão de elogiar e apresentar a palestrante que estava sentada ao seu lado, Fatou Aboua como a uma das imigrantes entrevistadas pelo projeto Comida de (I)migrante que integrou como pesquisadora realizando entrevistas. Informou que em breve serão publicados os primeiros resultados da pesquisa.

A influência das guerras nos hábitos alimentares e as consequências da economia de mercado na produção e nas culturas alimentares de todo mundo, foram assuntos marcados nessa oitava edição do Slow Filme.

O festival alertou para o fato de que falar sobre comida de refugiados e imigrantes hoje no Brasil e no mundo, é falar de um resgate do humano como identidade e não só como naturalidade, raça ou cor. Mostrou que o assunto transcende o campo alimentar e gastronômico, mas aponta o alimento e as práticas culinárias como protagonistas do resgate identitário afetivo de todos que tiveram não por vontade própria deixarem ou saírem fugidos de seus países de origem.

Em breve publicaremos entrevistas realizadas com palestrantes e participantes do 8º Slow Filme. Aguardem.

 

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Gosto, corporalidades e obesidade são temas de seminários na Fiocruz Brasília

Gosto, corporalidades e obesidade são temas de seminários na Fiocruz Brasília

Hábitos Alimentares na atualidade: gosto, corporalidades e obesidade é um conjunto de 5 seminários que ocorrerá entre os dias 16 a 20 de outubro na Escola Fiocruz de Governo.

São muitos os entendimentos que compõem a rede de saberes da ciência da nutrição. Refletir sobre o comer demanda de todos e todas uma disposição para o diálogo com outros campos de conhecimento como antropologia, sociologia, história e economia. Todas essas costuras contribuem para o fortalecimento de uma visão mais humanizada e integral da nutrição, permitindo assim, diferentes arranjos de articulação e execução de práticas que promovam saúde.

O OBHA convida a todos e todas a fazerem parte desse percurso de aprendizagens conosco. Os encontros visam dialogar sobre estudos e pesquisas sobre as dimensões do gosto, corporalidades e a obesidade.

PROGRAMAÇÃO

16/10 | A pesquisa qualitativa em alimentação e cultura com Maria do Carmo de Freitas
17/10 | Biografias alimentares como estratégia de estudos e pesquisas sobre obesidade com Denise Oliveira e Silva
18/10 | Obesidade em mulheres negras da Bahia com Liliane Bittencourt
19/10 | O gosto em Pierre Bourdieu: habitus e práticas alimentares com Jamacy Souza
20/10 | Insegurança Alimentar, excesso de peso e obesidade com Ana Segall

HORÁRIOS
Todos os dias início às 14h e término às 16h

IMPORTANTE
Esta atividade é uma disciplina ofertada no Mestrado Profissional do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas em Saúde/ Escola Fiocruz de Governo e por esta razão, é preciso confirmação de presença em cada dia.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por aqui.
Contate-nos pelo e-mail obha@fiocruz.br para dúvidas e/ou esclarecimentos.

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Assim nasceu a LOSAN

Assim nasceu a LOSAN

Relato realizado por Chico Menezes*, publicado em 12 de setembro pelo CONSEA.

Nós já estávamos com o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) recriado, depois de oito anos desativado. Tínhamos realizado, com grande participação social, a 2ª Conferência Nacional, na cidade de Olinda, Pernambuco, em 2004. O Brasil vivia tempos de firme combate à fome, como política de governo, mas nós queríamos mais.

Nós queríamos que a segurança alimentar e nutricional virasse política de Estado, que tivesse forte institucionalidade, marco legal, todo um arcabouço para não ficarmos ao sabor deste ou daquele governo. Enfim, queríamos uma lei orgânica que pudesse garantir conquistas e avanços e ao mesmo tempo que evitasse as conhecidas possibilidades de retrocessos.

E assim foram surgindo e se consolidando as bases para a criação de uma lei que nos desse a necessária institucionalidade. Naquela 2ª conferência veio forte o clamor de construção dessa base legal. Cabia então ao Consea, após a realização da conferência, dar encaminhamento a essa demanda.

Houve uma ampla participação de setores da sociedade civil com assento no Consea. Elaboramos uma minuta, um pré-projeto de lei, que foi encaminhado como prioridade pelo governo ao Congresso Nacional e, graças a uma grande articulação e mobilização, teve uma tramitação célere, com apoio e voto de praticamente todos os partidos. Em 11 meses a lei estava aprovada nas duas casas do Legislativo.

O resultado é que a lei enviada pelo então governo Lula, e sancionada por ele, trouxe de vez a perspectiva da intersetorialidade, com a instituição da Câmara Interministerial (Caisan) e também do próprio Sisan (Sistema Nacional). A Losan representou a consagração de uma concepção abrangente e intersetorial da segurança alimentar e nutricional, bem como dos dois princípios que a orientam: o direito humano à alimentação adequada e a soberania alimentar.

De fato, compreender a segurança alimentar e nutricional como um direito humano fundamental – como na Losan e depois, em 2010, com a inclusão da alimentação na Constituição Federal – representou enormes passos para vencermos a fome, a desnutrição e outras tantas mazelas. E também abriu a possibilidade para que qualquer brasileiro privado desse direito pudesse cobrá-lo do Estado.

A Losan também institucionalizou a soberania alimentar, reconhecendo o direito de nosso povo em determinar livremente o que vai produzir e consumir de alimentos. Além disso, o Sisan – instituído pela Lei – criou as condições para a formulação da política e dos dois planos nacionais, com diretrizes, metas, recursos e instrumentos de avaliação e monitoramento, compostos de ações e programas integrados envolvendo diferentes setores de governo e a sociedade.

A Losan criou também a institucionalidade permanente do Consea como órgão protagonista, atuante, formado pela pluralidade e diversidade da sociedade brasileira, na mesma mesa com representantes do governo – um conselho que tem a importante função de propor linhas e diretrizes e de realizar as conferências nacionais.

Enfim, sabemos que leis, por si mesmas, não são capazes de garantir aquilo que elas estabelecem. Mas é fundamental que exista uma lei como a Losan, a fim de garantir e aprofundar a participação de sociedade e governos nesta direção. Por isso, não tenho dúvida de que a Losan coroou a luta de brasileiros que acreditaram – e acreditam – que a fome e a insegurança alimentar e nutricional podem e devem ser superadas.

Sabemos também que, nos dias de hoje, surgem graves ameaças ao que já foi conquistado com muita luta e suor, inclusive a possibilidade de o Brasil voltar ao Mapa da Fome. Porém, para evitar que isso possa acontecer, é preciso muita articulação, muita mobilização, muita participação social, para resistir à investida contra os direitos duramente conquistados. Este momento de celebração da Losan deve ser, portanto, um momento de reflexão do antes, do agora e do depois. Foi assim que a Lei nasceu, há 11 anos, e é assim que ela viverá por muitos e muitos anos. Vida longa à Losan, uma conquista de todos nós.

*Chico Menezes é economista, coordenador do Instituto Brasileiro e Análises Sociais e Econômicas (Ibase), consultor da ActionAid Brasil e ex-presidente do Consea.

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Fiocruz Brasília promove curso de Segurança Alimentar e Nutricional em Moçambique

Fiocruz Brasília promove curso de Segurança Alimentar e Nutricional em Moçambique

Texto de Wagner Vasconcelos publicado pela Fiocruz Brasília.

 

Começou ontem, em Maputo (Moçambique), o curso “Formação em Governança em Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e Institucionalidade das Políticas Públicas”. Promovido pela Fiocruz Brasília, por meio da Escola Fiocruz de Governo (EFG), o curso se destina a profissionais ligados a instituições públicas e privadas do país africano. O lançamento do curso, na manhã desta terça-feira em Maputo (madrugada no Brasil), contou com uma mesa de abertura da qual fizeram parte a coordenadora do Programa de Alimentação, Cultura e Saúde (Palin) da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira e Silva; o primeiro-secretário da Embaixada do Brasil em Moçambique, Daniel Ferreira, e a secretária-executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional de Moçambique, Edna Possolo.

A diretora-executiva da EFG, Fabiana Damásio, também presente à abertura, destaca a modalidade em que o curso será ministrado, optando-se por um modelo de oficinas em vez do tradicional modelo de aulas. Ela explica que pelo menos três grandes discussões conduzirão as atividades. A primeira delas gira em torno do direito humano à alimentação adequada. Uma segunda discussão deverá se aprofundar em conceitos de SAN e, a terceira, se desdobrará em dois tópicos principais: a desnutrição infantil e a valorização da cultura alimentar e respeito aos ritos e tabus alimentares – uma vez que exercem forte influência na alimentação de todas as populações.

O curso se estende ao longo desta semana, com aulas das 8h30 às 16h, até o dia 19 em Maputo. Em seguida, será a vez de promove-lo no distrito de Monapo, na província de Nampula. Os profissionais que passarão pelo curso deverão atuarcomo multiplicadores de conhecimentos nas demais províncias de Moçambique, com supervisão à distância da Fiocruz.

A realização do curso resulta de acordo firmado entre representantes do governo e da embaixada moçambicana, dos ministérios da Saúde, Desenvolvimento Social e Relações Exteriores do Brasil e da Fiocruz (Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação; Centro de Relações Internacionais em Saúde e Fiocruz Brasília).

Denise Oliveira e Silva, da Fiocruz Brasília, explica que a proposta é elaborar um programa de formação de pessoas em SAN, englobando desde cursos técnicos (nível médio), especialização até mestrado e doutorado, envolvendo toda a estrutura da Fiocruz. Tal iniciativa atende acordos internacionais firmados pelo governo brasileiro (Sul/Sul e Palops – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e está dentro do plano Quadrienal da Fiocruz.

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OBHA no Congresso Brasileiro de Agroecologia

OBHA no Congresso Brasileiro de Agroecologia

Saiba o que é o CBA e como o OBHA aparecerá na programação deste grande congresso!

Já ouviu aquele ditado que “três é demais?”, pois ele não se enquadra quando falamos do CBA! VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, X Congresso Brasileiro de Agroecologia e V Encontro de Agroecologia do DF e entorno começou hoje (12/09) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Agroecologia na transformação dos sistemas agroalimentares na América Latina: Memórias, Saberes e Caminhos para o Bem Viver é o tema central do evento que conta com uma programação extremamente variada para difusão, fortalecimento e aceleração dos processos e articulações em torno da Agroecologia.

O conceito de agroecologia é muito abrangente, ele refere-se a uma construção de saberes e práticas, que podem ser populares, tradicionais ou científicas, que trabalham por uma agricultura ambientalmente sustentável, economicamente eficiente e socialmente justa. São muitos os atores que formam a rede de sustentação da agroecologia, agricultores familiares, assentados da reforma agrária, professores, pesquisadores, povos e comunidades tradicionais, representante de ONGs, associações de trabalhadores e científicas. Todas e todos unindo esforços para a reprodução de uma racionalidade de produção de alimentos que faça bem para o homem e o ambiente, que promova vida digna e preserve a natureza.

Os sistemas agroalimentares são marcas da humanidade ao longo da história. A agricultura convencional, tendo como base a racionalidade da Revolução Verde (produção em larga escala em monocultivos, uso de sementes transgênicas associados ao intensivo uso de agrotóxicos e intensa mecanização dos processos de produção) tem demonstrado não dar conta de, não somente, alimentar o mundo, como também, promover saúde para o homem e o ambiente. A agroecologia é um caminho muito possível para alcançarmos um mundo mais sustentável e que valoriza os saberes e práticas ancestrais da agricultura que respeita o meio ambiente e todos os seres que o compõem.

A agroecologia é uma base teórico conceitual para o conceito de Segurança Alimentar e Nutricional e está associado a hábitos alimentares que valorizam a biodiversidade dos povos e suas expressões culinárias e produtivas. Nesse sentido, o OBHA apoia iniciativas como o CBA e convida a todas e todos para a atividade que estamos propondo na programação.

Dia 14 de setembro, às 18h na Tenda da Alimentação Saudável ocorrerá a atividade “ObservAÇÃO para a vida: o papel dos observatórios sociais no fortalecimento da agroecologia e segurança alimentar e nutricional” foi pensada para ampliar os compartilhamento entre as pessoas que trabalham e/ou se interessam pela atuação de observatórios sociais. Se você participa e/ou acompanha o trabalho de algum observatório ligado as temáticas de Agroecologia e Segurança Alimentar e Nutricional venha compartilhar desse momento conosco!

A Tenda da Alimentação Saudável é uma das 9 tendas que compõem o Caminhos do Saber e é aberto para todo mundo, independente da inscrição no congresso.

Acesse o site do congresso. Acesse o evento da nossa atividade no congresso.

 

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