Danielle Cabrini-Mattos

Em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, a Embrapa Hortaliças realizou hoje uma série de lançamentos com o objetivo de estimular o consumo e reduzir o desperdício de hortaliças no Brasil. O evento aconteceu na manhã do dia 16 de outubro, no auditório da Sede da CNA em Brasília/DF e contou com a participação de pesquisadores da área e de representantes da FAO, da CONAB, da Embrapa, da CNA e de outras instituições.

Foi lançada a campanha “Hortaliça não é só salada”, um programa de incentivo ao consumo e redução de desperdício de hortaliças, desenvolvido pela Embrapa Hortaliças a partir das pesquisas e projetos conduzidos pela pesquisadora Milza Moreira Lana. As estratégias incluem a produção de materiais educativos que estimulem a inclusão de hortaliças na alimentação dos brasileiros, a publicação do livro digital “50 hortaliças” e o site “Hortaliças na Web – estímulo ao consumo de hortaliças”. Segundo Milza, a campanha é uma importante ferramenta que pode contribuir no desafio de aumentar o consumo de hortaliças no país. Para ela, a iniciativa é uma maneira eficaz de superar obstáculos potenciais para a adoção das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde. Segundo dados do VIGITEL, em 2016, apenas 1 em cada 3 brasileiros adultos consumiam frutas e hortaliças em 5 dias da semana ou mais. A recomendação do consumo desses alimentos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 400g/dia.

No evento, aconteceu também o lançamento do livro “Sustentabilidade e horticultura no Brasil: da retórica à prática”, dos editores Carlos Alberto Lopes e Maria Thereza Macedo Pedroso. É uma coletânea de 20 artigos escritos por 15 autores e compõe a série de publicações Textos para Discussão da Embrapa. O livro enfoca a sustentabilidade na cultura de hortaliças como pilar no uso racional e consciente dos recursos naturais e na redução do uso de insumos (especialmente químicos). Os autores percorrem um caminho de reflexão científica plural sobre as práticas de agricultura sustentável e os desafios a serem vencidos “para permitir a transposição entre um desejo inicial, ainda retórico, e uma resultado final, concreto e viável, de um modo sustentável de funcionamento, inclusive, economicamente”. A publicação está disponível em formato impresso (ISSN 1677-5473) e em formato digital.

Considerar a complexidade e a pluralidade relacionadas aos sistemas alimentares atuais, bem como os múltiplos determinantes das práticas alimentares, valorizando a produção local de alimentos, apoiando as comunidades dos produtores e levando em conta as dimensões culturais e sociais dos hábitos alimentares da população são aspectos candentes e necessários no desenvolvimento de estratégias para a promoção e a realização do direito humano à alimentação adequada.

 

Em 2017, o tema proposto para o Dia Mundial da Alimentação pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) é “Mude o futuro da migração. Investir na segurança alimentar e no desenvolvimento rural.” Gustavo Chianca, representante da FAO, destacou durante o evento que, após 10 anos sucessivos de redução da fome no mundo, o último relatório apresentou aumento desta condição entre os países, sobretudo aqueles que estão sob situação de conflitos ou de extremos climáticos, principais razões das migrações forçadas no mundo atualmente, contribuindo para o agravamento da situação de insegurança alimentar e nutricional.
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