OBHA é um dos campos para trabalho voluntário na Fiocruz Brasília

OBHA é um dos campos para trabalho voluntário na Fiocruz Brasília

Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares – OBHA será um dos projetos a receber candidaturas para trabalho voluntário na Fiocruz Brasília. A chamada pública fica aberta até o dia 16 de março e conta com vagas destinadas a candidatas e candidatos do programa de ação afirmativa étnico-racial.

No último dia 22 de fevereiro, foi lançado pela Fiocruz Brasília a chamada pública para trabalho voluntário para os programas de pesquisa da instituição por meio da Coordenação de Programas e Projetos – CPP. Ao todo, serão ofertadas 36 vagas, destas, 30 estão destinadas as linhas de pesquisa e demais ações do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin cujo OBHA é vinculado.

Elaboração, revisão e postagem de textos; pesquisa e análise de conteúdos; gerenciamento de mídias sociais e gerenciamento de website são as atribuições a serem desempenhadas por 2 estudantes de graduação que forem selecionados/as das áreas Ciências da Saúde e Ciências Sociais Aplicadas (jornalismo, direito e/ou serviço social são cursos que integram a grande área de Ciências Sociais Aplicadas, para saber qual grande área seu curso faz parte entre aqui).

No Palin, além das vagas destinadas ao OBHA, também há vagas de trabalho voluntário na Revista de Alimentação e Cultura das Américas (RACA) e nas linhas de pesquisa que atuam nos temas de Biografias Alimentares, Migração e Comensalidade e Patrimônios Alimentares em comunidades quilombolas.

Para saber mais acesse o edital.

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FAO anuncia a realização da sua Conferência Regional para a América Latina e o Caribe

FAO anuncia a realização da sua Conferência Regional para a América Latina e o Caribe

*Matéria original.

Na América Latina e no Caribe, a fome está crescendo e a obesidade se tornou uma epidemia, as mudanças climáticas ameaçam a agricultura e milhões de habitantes rurais vivem em extrema pobreza. Estes são os grandes desafios que orientarão as discussões da próxima Conferência Regional da FAO.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou hoje que realizará sua 35ª Conferência Regional em Montego Bay, Jamaica, de 5 a 8 de março de 2018.

“A Conferência deste ano não poderia acontecer em um momento mais importante. Pela primeira vez em duas décadas, a fome cresceu na região, enquanto a obesidade e suas doenças associadas se tornaram a principal causa de morte em vários países. A hora de agir é agora “, explicou o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué.

A Conferência é o mais alto órgão de governo da FAO em âmbito regional. Reúne os 33 países membros da FAO, que analisam o trabalho realizado pela organização e definem suas prioridades para os próximos dois anos.

A Conferência terá três temas centrais: erradicar a fome, o excesso de peso e a obesidade; acabar com a pobreza rural; e promover uma agricultura sustentável que seja resiliente às mudanças climáticas.

Parar o aumento da fome e da obesidade

“Mais de quarenta e dois milhões de pessoas dormem com fome todas as noites”, disse Berdegué, que lamentou o retrocesso que ocorreu na luta contra a fome na região. 

“Até recentemente, o mundo olhava para a região para replicar nossas políticas contra a fome. Mas, nos últimos anos, vimos um aumento da fome. O que queremos discutir com os países é como colocamos nosso pé de volta no acelerador “, explicou.

O outro lado da má nutrição – a obesidade – é um problema que já afeta 96 milhões de pessoas.

Berdegué explicou que, de acordo com uma estimativa feita pelo Escritório Regional da FAO, em 26 países da região, as doenças associadas à obesidade são responsáveis por 300 mil mortes por ano, em comparação com as 166 mil pessoas mortas por assassinatos.

Acabar com a pobreza rural

Além do aumento da fome, nos últimos anos o ritmo da redução da pobreza rural caiu na região e, inclusive, foram vistos aumentos em alguns países. Mais de 40% dos habitantes rurais são pobres e mais de 20% não conseguem sequer comprar uma cesta básica de alimentos.

“Devemos prestar atenção nos territórios onde a pobreza rural é mais difícil e desenvolver novas ferramentas e políticas inovadoras de desenvolvimento rural para dar uma resposta urgente”, explicou Berdegué.

A migração é outro tópico que estará no centro das discussões da Conferência: “Que as pessoas não precisem migrar por causa da pobreza, da insegurança ou de catástrofes climáticas; que aqueles que migrem sejam acolhidos em comunidades inclusivas e igualitárias; e que aqueles que retornem aos seus países de origem possam desenvolver todo o seu potencial. Esse é o nosso objetivo “, afirmou Berdegué.

Impulsar uma agricultura sustentável e resiliente às mudanças climáticas

De acordo com Berdegué, a região da América Latina e Caribe é o principal contribuinte de alimentos no mundo, o que o torna um jogador de importância planetária.

Mas a expansão agrícola da região também gerou grandes custos: poluição da água, degradação da terra, desmatamento, monoculturas e emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com a FAO, a região deve expandir sua produção de alimentos por meio de práticas sustentáveis, adaptando seus sistemas de produção às novas condições climáticas.

“O que aconteça com a agricultura nesta região afetará todo o mundo”, concluiu Berdegué.

 

 

      35 ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

 

Quando: 5 a 8 de março de 2018

Onde: Montego Bay Convention Centre, Rose Hall, Montego Bay, Jamaica

Quem: Primeiro Ministro de Jamaica, Andrew Holness

Ministros da Agricultura, Desenvolvimento Social, Educação, Saúde e Meio Ambiente

Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva

Representante Regional da FAO, Julio Berdegué

Secretária da Conferência Regional y Rep. Regional Adjunta FAO, Eve Crowley

 

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Fiocruz divulga nota pública contra censura de pesquisadores

Fiocruz divulga nota pública contra censura de pesquisadores

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

 

“O Conselho Deliberativo da Fiocruz, reunido entre os dias 1° e 2 de fevereiro de 2018, vem a público se manifestar contra a censura e intimidação de pesquisadores e pelo direito de se produzir ciência para a defesa da vida.

Em apresentação técnica realizada por Fernando Carneiro, pesquisador da Fiocruz Ceará, durante audiência pública para debater os agrotóxicos e seus efeitos sobre a saúde e o ambiente, convocada pelo Ministério Público em Fortaleza, foram apresentados dados do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos. Essa publicação é de responsabilidade do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DSAST) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde. Os dados mostravam que o Ceará era o terceiro maior comercializador de agrotóxicos do Brasil (em quilogramas por área plantada), tendo como referência o ano de 2013.

Após a apresentação, o pesquisador foi alvo de críticas e constrangimentos, especificamente, entre os anos de 2015 e 2016. Dois anos depois do ocorrido, em 18 de novembro de 2017, foi notificado por meio de uma interpelação judicial movida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), questionando e solicitando esclarecimentos sobre os dados apresentados, que foram produzidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e divulgados pela Fiocruz Ceará. Dentre as várias solicitações da Faec, destaca-se que o pesquisador evitasse também de chamar os agrotóxicos de “veneno” e passasse a chamá-los de “defensivos agrícolas”, exigência que fere a própria legislação nacional, que conceitua essas substâncias, tanto como agrotóxicos quanto como veneno (explicitando-se, inclusive, nos rótulos desses produtos a figura de uma caveira).

A Fiocruz, instituição do Ministério da Saúde, tem se pautado por meio de atividades de pesquisa, ensino, cooperação e serviços sobre a temática dos agrotóxicos, incluindo o atendimento ambulatorial, o monitoramento de resíduos em água e alimentos ao longo de sua história e a comunicação em saúde. A investigação dos impactos socioambientais e sanitários decorrentes do uso dos agrotóxicos é uma das principais linhas de pesquisa desenvolvidas por diversas unidades técnico-científicas da Fiocruz.

Vemos com muita preocupação a tentativa de censura e de intimidação ao trabalhador da Fiocruz. A comunicação em saúde é um direito da população e um dever do Estado, por meio de suas instituições públicas de saúde.

Esse CD apoia integralmente a posição da Presidência da Fiocruz, que assumiu a defesa incondicional do pesquisador, por entender que é função de uma instituição de Estado defender seus servidores para garantir o exercício de suas funções básicas, nesse caso, envolvendo a divulgação de conhecimento em defesa da vida.

Devemos responder de forma contundente para que os trabalhadores e estudantes em saúde possam continuar desenvolvendo e publicando, sem nenhum constrangimento, suas pesquisas sobre os impactos socioambientais gerados pelos agrotóxicos e tenham condições de exercer o seu trabalho, tendo a defesa do direito à saúde e da cidadania ampla como valores centrais da Fiocruz.

Conselho Deliberativo da Fiocruz
Fevereiro de 2018″

 

Fonte: Portal Fiocruz

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O Gosto em Pierre Bourdieu: habitus e práticas alimentares

O Gosto em Pierre Bourdieu: habitus e práticas alimentares

Jamacy Costa Souza*

A primeira vez que tive contato com a noção de hatitus (em 2009), me questionei: como, em tantos anos de formado, nunca fora apresentado a um conceito tão importante para compreender as práticas alimentares? Era o início do meu doutorado no ISC-UFBA, no qual fiz uso do referencial bourdiesiano para analisar a gênese do Programa de Incentivo Fiscal à Alimentação do Trabalhador (PIFAT/PAT). Após  a defesa da tese, alguns colegas me convidaram para falar sobre o conceito para estudantes de graduação e pós-graduação em Nutrição. E foi assim que em 19/10/2017 participei da disciplina “Seminários Contemporâneos sobre Hábitos Alimentares: Gosto, Corporalidades e Obesidade” dando uma aula com o título: “O Gosto em Pierre Bourdieu: habitus e práticas alimentares”. Este texto é uma síntese do que abordei naquele momento.

Iniciei a aula  apresentando três questões para orientar a reflexão:

  1. O que significa uma recomendação ou orientação alimentar?
  2. Quais são os espaços/campos de imposição de uma “alimentação legítima”?
  3. O que é exposição e o que é desfecho quando analisamos práticas alimentares?

Como questões norteadoras, a intenção não é oferecer respostas (até porque não as tenho no momento). Mas são pontos de partida para discutirmos habitus a partir de algumas das bases que orientam os estudos e as intervenções sobre as práticas alimentares.

O habitus pode ser entendido como um sistema de disposições, esquemas de percepção que orientam as diferentes ações dos agentes. Esse sistema gerador produz o estilo de vida, do qual faz parte o gosto em relação aos alimentos. Funciona, assim, como “estrutura estruturada” por corresponder à incorporação no “inconsciente” (ou não-consciente) das estruturas sociais, e estruturante por orientar as escolhas práticas e os julgamentos. Daí deriva uma síntese bastante usada, que o apresenta como “estrutura estruturada e estruturante”. Para os “iniciados”, é uma ótima formulação. Sobretudo nestes tempos de exíguos espaços para a escrita. Todavia, para quem está se apropriando da obra de Bourdieu, mormente para quem o faz ao passo que se aproxima das ciências sociais, pode soar de difícil compreensão. Ocorre que há uma outra síntese igualmente boa e, suponho, de mais fácil entendimento: “o habitus é a história tornada corpo”.

A noção de habitus em Bourdieu designa o processo ou mecanismo pelo qual reagimos em determinadas  circunstâncias. Diz respeito às referências cognitivas, corporais e afetivas que lançamos mão, ainda que em estado não consciente, no momento de agir. Fazer um julgamento de bom ou ruim, bem ou mau, certo ou errado, adequado ou inadequado, justo ou injusto, pertinente ou impertinente, sensato ou insensato… requer buscar os parâmetros que estruturam cada um desses juizos, ou vários deles em seu conjunto.

Essas referências, esses padrões, essas estruturas que orientam a prática, por sua vez, não são produtos de geração espontânea. São frutos de um processo histórico, de disputas entre diversos pontos de vistas, que, uma vez vencida a “batalha”, vai pouco-a-pouco se “naturalizando”, passando de geração-em-geração até sequer dar-mo-nos conta que “um outro mundo é possível”. Ou, como na fala do personagem Chicó, do Ariano Suassuna: “não sei, só sei que é assim!”.

A disputa em torno de um ponto de vista se dá em um espaço social. Ou em um campo, ou em um espaço inter-campos. Ou seja: se dá na interação de diversos agentes e instituições, cujas diferentes estruturas de julgamento entram em conflito até que uma (ou mais) se estabeleça.

Mudar uma prática, portanto, implica em alterar as estruturas de julgamento que orientam essa prática. Requer modificar o habitus.

Assim, fazer alguém adotar uma recomendação ou orientação alimentar requer a modificação dos seus padrões de julgamento. Significa construir condições para que a prática que se quer mudar perca o  sentido prático que atualmente tem, em vantagem da nova que se quer implantar na mente, no corpo e nas emoções do outro. Constituir uma virtude para uma nova necessidade. Ou, modificar a posição de distância daquela necessidade. É um ato, pois, de violência que se estende às dimensões física, cognitiva e afetiva e, em logrando sucesso, vai constituir-se em uma violência simbólica (aquela que de tão incorporada, naturalizada, já não é percebida como tal). Ou seja: requer tempo e legitimidade. E não parece que isso seja facilmente exequível no curto intervalo de uma consulta ou exposição, mesmo que repetidas com certa frequência; ainda mais em uma área de conhecimento que disputa sua legitimidade com diversos espaços do campo social global.

Os principais espaços de constituição do habitus é a família e, em seguida, a escola. Mas, à medida que o agente circula por outros campos, novas disputas e injunções vão “aggiornando” sua vida, bem como ele pode contribuir para alterar o estado das disputas e oposições vigentes. Daí diz-se que  habitus é um estrutura estruturada (porque herdada da sua construção histórica), mas também estruturante, porque capaz de promover mudanças.

A disputa em torno da alimentação adequada ou saudável (duas categorizações que postas lado-a-lado servem mais para ocultar as contradições do espaço de formulação de política nutricional no Brasil), está em aberto e se dá em várias frentes:  a tradição, ou a história familiar; a classe social de origem do agente; e os diversos espaços que disputam o poder de emitir um julgamento final e definitivo sobre o quê, como e quando comer. É um “mundo sem fim” que envolve as religiões, o Estado, os campos científico e econômico, os meios de comunicação, as chamadas redes sociais… Enfim, se entendermos que parte importante do que viabiliza a vida entra pela boca sob a forma de comida, fica mais clara a complexidade do fenômeno e sua imbricação (subordinação talvez fosse a melhor palavra) às relações sociais de produção material e simbólica.

Deste modo, identificar as práticas alimentares e de onde “vêm” os pontos de vistas que as legitimam e as condições que as possibilitam, é um belo plano de investigação para responder a segunda questão .

Por fim, façamos a breve reflexão sobre o que seria a relação causa e efeito nos estudos sobre as práticas alimentares.

A importância do biológico é inconteste; afinal, é num corpo que um habitus (produto das dinâmicas sociais) se efetiva, se “incorpora”. No entanto, é no “mundo da vida em sociedade” que as disputas se dão e se viabilizam. Logo, cabe a indagação: neste jogo em que as fronteiras entre o social e o biológico não se distinguem muito bem,  onde começa e onde termina um fenômeno? Ou, para ser mais direto: o quê e como se come é, afinal, exposição ou um desfecho da trama da vida?

Geralmente, nos estudos clínicos (e mesmo em muitos estudo epidemiológicos), a alimentação (o consumo) é a exposição, e a patologia, ou o “estado nutricional”, é o desfecho. Ocorre que, se por um lado o consumo determina o corpo que se tem; por outro, a visão que o agente tem do seu próprio corpo (que é produto de uma construção social), e as condições reais de possibilidades de vida daquele corpo (que é, igualmente, produto de uma construção social), também condiciona o consumo que se pratica, ou o consumo que é praticável para um determinado conjunto de agentes. Ou seja: o agente, a depender das tensões sociais que enfrenta nos diversos campos pelos quais transita (ou transitou) ao longo de sua vida, construirá (e terá/será construída) uma relação própria com o seu corpo e, como causa e consequência (simultaneamente), com o que come e como come. Em síntese: a prática alimentar é orientada por um habitus que, produto e produtor de uma realidade social, ajusta (ou desajusta) o corpo (e o consumo) à sua condição concreta de existência.

*Jamacy Costa Souza é nutricionista e professor da Escola de Nutrição da UFBA. É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Alimentação Coletiva (GEPAC); e do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS).

Idec apresenta novo modelo de rotulagem nutricional à Anvisa

Idec apresenta novo modelo de rotulagem nutricional à Anvisa

*Texto original.

Proposta inclui advertências na parte da frente das embalagens, além de mais espaço e letras maiores para informações nutricionais

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estuda fazer mais uma mudança nos rótulos nutricionais dos alimentos e bebidas. Agora, além de apontarem a presença de substâncias alergênicas, os fabricantes terão que colocar alertas visíveis sobre o alto teor de nutrientes críticos, como açúcar, sódio e gorduras.

O Idec, em parceria com pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná), enviou, no final de agosto, à Anvisa uma proposta de atualização e aprimoramento do atual modelo de rotulagem nutricional no Brasil.

De acordo com a nutricionista do Idec Ana Paula Bortoletto, o principal objetivo é ajudar os consumidores a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis. “O modelo apresentado pelo Idec busca oferecer informação clara, simples e compreensível sobre alimentos e bebidas, tendo em vista a dificuldade dos consumidores para entender os rótulos”, afirma.

Figura 1. Modelo proposto pelo Idec em parceria com a UFPR

Essa advertência deve constar nos rótulos de produtos processados e ultraprocessados (como sopas instantâneas, refrigerantes, biscoitos, etc.), que, nesse caso, não poderão apresentar informação que transmita a ideia de que o alimento é saudável, nem utilizar comunicação mercadológica voltada ao público infantil, como personagens e desenhos.  Os alimentos in natura, minimamente processados e ingredientes culinários, que devem fazer parte de uma alimentação adequada e saudável segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014), não deverão ter nenhum tipo de advertência.

Figura 2. Demonstração da aplicação

A nutricionista explica ainda que o triângulo foi escolhido após uma análise técnica dos pesquisadores da UFPR dos modelos de advertência existentes no Chile e no Equador. “Temos evidências de que o modelo do Chile é o que melhor auxilia os consumidores a fazer escolhas saudáveis e por isso nos inspiramos nele e fizemos algumas mudanças baseadas em evidências da área do design da informação“.

Entre as vantagens desse símbolo estão o fato de ser uma forma que não apresenta perda na percepção em tamanho reduzido, um melhor contraste de cores e destaque em relação aos demais elementos da embalagem, além do triângulo ser uma convenção de advertência no Brasil.

“O uso da cor preta com o fundo branco foi pensado para não confundir a população em relação às outras cores da embalagem e por ser um padrão conhecido para mensagens de alerta”, diz Bortoletto.

A representação gráfica para o modelo de rotulagem nutricional frontal foi criada em conjunto com a Dra Carla Spinillo e o Ms. Carlos Rojas, especialistas em design da informação e tem o objetivo de facilitar o acesso do consumidor à informação. Várias organizações da sociedade civil e grupos de pesquisa da área da saúde, alimentação saudável e design apoiaram o posicionamento que apresenta a proposta de rotulagem frontal para a Anvisa. Confira em anexo o posicionamento completo com a lista dos mais de 25 apoiadores até o momento.

O Idec faz parte do grupo criado pela Anvisa para revisar as atuais normas de rotulagem de alimentos no Brasil desde 2013, e nos últimos anos tem realizado pesquisas e acompanhando experiências de aprimoramento da rotulagem nutricional em diferentes países.

Sem publicidade enganosa e apelativa

Além das advertências, os produtos processados e ultraprocessados não poderão apresentar informação que transmita a ideia de que o alimento é saudável, nem ter sua comunicação voltada ao público infantil.

Cereais matinais, por exemplo, não poderão ter imagens de personagens e desenhos conhecidos pelas crianças.

Já os alimentos in natura, ou seja, produtos minimamente processados e ingredientes culinários, não deverão ter nenhum tipo de advertência.

Escolha de cores e forma

Segundo a nutricionista, o triângulo foi escolhido após uma análise técnica dos pesquisadores da UFPR dos modelos de advertência existentes no Chile e no Equador. O primeiro país apresenta um octágono preto, enquanto o outro adota sistema de rotulagem com semáforo nutricional.

“Temos evidências de que o modelo do Chile é o que melhor auxilia os consumidores a fazerem escolhas saudáveis, por isso nos inspiramos nele. Fizemos apenas algumas mudanças baseadas em evidências da área do design da informação“.

Bortoletto ainda ressalta que o símbolo apresenta algumas vantagens como o fato de ser uma forma que não perde a percepção em tamanho reduzido. Além disso, o triângulo já é conhecido como uma advertência no Brasil, devido a rotulagem de alimentos transgênicos, e a cor utilizada possui um melhor contraste e destaque em relação aos demais elementos da embalagem.

“O uso da cor preta com o fundo branco foi pensado para não confundir a população em relação às outras cores da embalagem e por ser um padrão conhecido para mensagens de alerta”, diz Bortoletto.

Várias organizações da sociedade civil e grupos de pesquisa da área da saúde, alimentação saudável e design apoiaram a proposta enviada à Anvisa. Confira a lista de apoiadores(external link).

Na sessão + água no feijão compartilhamos notícias, conteúdos, eventos e outras matérias produzidas por entidades, organizações e/ou pessoas pertinentes às temáticas trabalhadas no OBHA.