*Texto original.

Proposta inclui advertências na parte da frente das embalagens, além de mais espaço e letras maiores para informações nutricionais

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estuda fazer mais uma mudança nos rótulos nutricionais dos alimentos e bebidas. Agora, além de apontarem a presença de substâncias alergênicas, os fabricantes terão que colocar alertas visíveis sobre o alto teor de nutrientes críticos, como açúcar, sódio e gorduras.

O Idec, em parceria com pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná), enviou, no final de agosto, à Anvisa uma proposta de atualização e aprimoramento do atual modelo de rotulagem nutricional no Brasil.

De acordo com a nutricionista do Idec Ana Paula Bortoletto, o principal objetivo é ajudar os consumidores a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis. “O modelo apresentado pelo Idec busca oferecer informação clara, simples e compreensível sobre alimentos e bebidas, tendo em vista a dificuldade dos consumidores para entender os rótulos”, afirma.

Figura 1. Modelo proposto pelo Idec em parceria com a UFPR

Essa advertência deve constar nos rótulos de produtos processados e ultraprocessados (como sopas instantâneas, refrigerantes, biscoitos, etc.), que, nesse caso, não poderão apresentar informação que transmita a ideia de que o alimento é saudável, nem utilizar comunicação mercadológica voltada ao público infantil, como personagens e desenhos.  Os alimentos in natura, minimamente processados e ingredientes culinários, que devem fazer parte de uma alimentação adequada e saudável segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014), não deverão ter nenhum tipo de advertência.

Figura 2. Demonstração da aplicação

A nutricionista explica ainda que o triângulo foi escolhido após uma análise técnica dos pesquisadores da UFPR dos modelos de advertência existentes no Chile e no Equador. “Temos evidências de que o modelo do Chile é o que melhor auxilia os consumidores a fazer escolhas saudáveis e por isso nos inspiramos nele e fizemos algumas mudanças baseadas em evidências da área do design da informação“.

Entre as vantagens desse símbolo estão o fato de ser uma forma que não apresenta perda na percepção em tamanho reduzido, um melhor contraste de cores e destaque em relação aos demais elementos da embalagem, além do triângulo ser uma convenção de advertência no Brasil.

“O uso da cor preta com o fundo branco foi pensado para não confundir a população em relação às outras cores da embalagem e por ser um padrão conhecido para mensagens de alerta”, diz Bortoletto.

A representação gráfica para o modelo de rotulagem nutricional frontal foi criada em conjunto com a Dra Carla Spinillo e o Ms. Carlos Rojas, especialistas em design da informação e tem o objetivo de facilitar o acesso do consumidor à informação. Várias organizações da sociedade civil e grupos de pesquisa da área da saúde, alimentação saudável e design apoiaram o posicionamento que apresenta a proposta de rotulagem frontal para a Anvisa. Confira em anexo o posicionamento completo com a lista dos mais de 25 apoiadores até o momento.

O Idec faz parte do grupo criado pela Anvisa para revisar as atuais normas de rotulagem de alimentos no Brasil desde 2013, e nos últimos anos tem realizado pesquisas e acompanhando experiências de aprimoramento da rotulagem nutricional em diferentes países.

Sem publicidade enganosa e apelativa

Além das advertências, os produtos processados e ultraprocessados não poderão apresentar informação que transmita a ideia de que o alimento é saudável, nem ter sua comunicação voltada ao público infantil.

Cereais matinais, por exemplo, não poderão ter imagens de personagens e desenhos conhecidos pelas crianças.

Já os alimentos in natura, ou seja, produtos minimamente processados e ingredientes culinários, não deverão ter nenhum tipo de advertência.

Escolha de cores e forma

Segundo a nutricionista, o triângulo foi escolhido após uma análise técnica dos pesquisadores da UFPR dos modelos de advertência existentes no Chile e no Equador. O primeiro país apresenta um octágono preto, enquanto o outro adota sistema de rotulagem com semáforo nutricional.

“Temos evidências de que o modelo do Chile é o que melhor auxilia os consumidores a fazerem escolhas saudáveis, por isso nos inspiramos nele. Fizemos apenas algumas mudanças baseadas em evidências da área do design da informação“.

Bortoletto ainda ressalta que o símbolo apresenta algumas vantagens como o fato de ser uma forma que não perde a percepção em tamanho reduzido. Além disso, o triângulo já é conhecido como uma advertência no Brasil, devido a rotulagem de alimentos transgênicos, e a cor utilizada possui um melhor contraste e destaque em relação aos demais elementos da embalagem.

“O uso da cor preta com o fundo branco foi pensado para não confundir a população em relação às outras cores da embalagem e por ser um padrão conhecido para mensagens de alerta”, diz Bortoletto.

Várias organizações da sociedade civil e grupos de pesquisa da área da saúde, alimentação saudável e design apoiaram a proposta enviada à Anvisa. Confira a lista de apoiadores(external link).

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