Emergente no Brasil, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) é um conceito associado às discussões acerca de alternativas alimentares para o mundo. Em 2017, este conceito completou 10 anos e, desde 2014, saiu das fronteiras da universidade e vem ganhando visibilidade entre segmentos da sociedade civil, especialmente em grandes capitais. Considerando a ampla repercussão desse termo na sociedade brasileira, bem como sua associação com as temáticas de agrobiodiversidade, gastronomia e alimentação saudável e sustentável – temas transversais para refletir e compreender os hábitos alimentares brasileiros -, trazemos essa pauta para a quinta temática da sessão Fome de Saber do observatório.

As contribuições de Kinupp na literatura acadêmica, especialmente na área da botânica, corroboram com estudos que dentro da temática de agrobiodiversidade apresentam a capacidade de recursos alimentares no planeta, bem como, alertam para a preocupante e contínua redução da utilização desses recursos pela humanidade. Além das PANC, existem outros conceitos, aparentemente semelhantes que convergem na problematização do fenômeno de erosão da agrobiodiversidade e o desconhecimento acerca dos recursos alimentares no mundo, ambos processos decorrentes dos processos de modernização da agricultura e urbanização dos aglomerados humanos.

Hortaliças tradicionais; Plantas ruderaisEdible weeds; Quelites; Wild food plants; Malezas comestibles ou Neglected and Underutilized Species. Todos esses conceitos dizem a mesma coisa? É possível apresentá-los como sinônimos ao conceito PANC discutido no Brasil? Tendo em vista esse panorama de estudos, pesquisas e implicações políticas ligadas à alimentação e nutrição que percebe-se a importância de oportunizar um espaço de diálogo onde esses diferentes conceitos sejam trazidos à luz da reflexão coletiva e, dessa forma, contribuam na articulação e difusão de conhecimentos que fortalecem as lutas sociais ligadas ao Direito Humano à Alimentação Adequada e Segurança Alimentar e Nutricional.

As PANC são nosso ponto de partida para desbravar as contribuições conceituais em torno da discussão de alternativas alimentares para o mundo. Quais as potencialidades trazidas com esse conceito no Brasil? Como vem se consolidando as narrativas populares e acadêmicas em torno deste tema? Quais as discussões e abordagens que se relacionam e/ou ancoram as ações e reflexões teóricas quando falamos em alimentos alternativos e sustentabilidade?

Buscaremos responder estas perguntas, bem como, criar outras a partir das contribuições de pessoas que compartilham aqui suas experiências, acadêmicas ou não, neste fértil campo de saberes que circunscreve as Plantas Alimentícias Não Convencionais.

Acompanhe as publicações e desbrave as possibilidades alimentares disponíveis na natureza!

Bruna de Oliveira é nutricionista, bolsista de pesquisa no Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin da Fiocruz Brasília, mestranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural na Faculdade de Planaltina – Universidade de Brasília. Integrante do GT de Agricultura Urbana em Brasília/DF. Dona do site Crioula, trabalha com Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC.