Rotulagem Alimentar – primeiro tema do Ciclo de Palestras Portas Abertas do OBHA

Rotulagem Alimentar – primeiro tema do Ciclo de Palestras Portas Abertas do OBHA

Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares – OBHA inicia os encontros de mais um ciclo de palestras. A temática de abertura aborda o debate sobre rotulagem alimentar.

Ocorrerá no dia 09.05 (quarta-feira), às 14:30 da tarde no Auditório Interno da Fiocruz Brasílis o primeiro encontro do Ciclo de Palestras do Portas Abertas, atividade realizada pelo OBHA. Depois de Comunidade que Sustenta a Agricultura – CSA e Promoção à Saúde, o eixo norteador do projeto Portas Abertas | Ciclo de Palestras 2018 é Fronteiras da Alimentação Saudável e Sustentável. Entre os diversos assuntos que se articulam com este eixo norteador, o tema que abre as portas para nossos encontros é ROTULAGEM ALIMENTAR, contemplando a discussão sobre a agenda regulatória no campo da nutrição.

Este debate existe desde 2014 no Brasil para identificar modelos de rótulos adequados para disponibilizar informações nutricionais dos produtos alimentícios industrializados. A mudança pretende facilitar a tomada de decisão das pessoas no momento da compra dos produtos alimentícios industrializados.

Você tem o direito de saber o que está comendo! Mas como saber que temos esse direito? Como a pauta de rotulagem de alimentos está se movimento entre ações do Estado e a sociedade civil? Conhecer a importância da rotulagem de alimentos não é um saber apenas para nutricionistas. Cidadãos e cidadãs precisam estar atentos as movimentações da indústria de alimentos em relação as informações que apresenta em seus produtos. Rotulagem alimentar: agenda regulatória no campo da Nutrição intitula o encontro cuja palestrantes são Ana Paula Bortoletto e Paula Johns.

Ana é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública. Líder do Programa de Alimentação Saudável do Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Atua como pesquisadora em epidemiologia nutricional desde 2006. Foi consultora da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social em 2008-2009. É conselheira representando o Idec no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e compõe o Comitê gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

Paula é socióloga e mestra em estudos de desenvolvimento internacional pela Universidade de Roskilde, Dinamarca. Co-fundadora e diretora geral da ACT Promoção da Saúde. Atua no terceiro setor desde 1998 coordenando projetos voltados à promoção dos direitos humanos, equidade de gênero, preservação do meio ambiente e saúde pública. Ex-presidente do conselho diretor da Framework Convention Alliance (FCA), empreendedora social Ashoka, Conselheira Nacional de Saúde. Membro do Conselho do GAPA – Global Alcohol Policy Alliance, da Fundação Interamericana do Coração e da NCD Alliance. Compõe ainda o Comitê gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

Esta atividade está sendo realizada com o apoio da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável em caráter gratuito com certificação pela Escola de Governo Fiocruz Brasília. As inscrições ocorrem no local até lotação máxima do espaço. Confirme sua presença no link do evento.

SERVIÇO

CICLO DE PALESTRAS 2018 | Rotulagem Alimentar: agenda regulatória no campo da nutrição

DATA: 09.05

HORÁRIO: 14:30

LOCAL: Auditório Interno – Fiocruz Brasília

Avenida L3 Norte, s/n, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Gleba A

PORTAS ABERTAS

A geladeira é um eletrodoméstico que está em quase 100% dos domicílios brasileiros. De livre acesso dentro de uma casa, é lugar de armazenamento de alimentos e está sempre a disposição seja para preparação de grandes refeições, seja para um lanche da tarde ou um apressado “assalto” na madrugada.

As portas da geladeira da nossa casa estão sempre abertas para saciar nossa fome. É nesse sentido que o OBHA desenvolve Ciclos de Palestras com registro áudio visual delas com o objetivo de saciar a fome de interessadas/os nos temas de Alimentação, Cultura e seus múltiplos desdobramentos para a Segurança Alimentar e Nutricional para a população brasileira.

Na sessão + água no feijão compartilhamos notícias, conteúdos, eventos e outras matérias produzidas por entidades, organizações e/ou pessoas pertinentes às temáticas trabalhadas no OBHA.

Seminário promove a sociobiodiversidade do Centro-Oeste brasileiro

Seminário promove a sociobiodiversidade do Centro-Oeste brasileiro

O Seminário de Construção de Mercados para Alimentos Bons, Limpos e Justos na Região Centro-Oeste do Brasil aconteceu nos dias 24 e 25 de abril, em Brasília, reunindo mais de 70 pessoas para discutir estratégias de mercado para a agricultura familiar e suas articulações com o Movimento Slow Food

Você conhece a sociobiodiversidade alimentar da sua região? Existem várias formas de saber quais são os alimentos produzidos e quem são as pessoas que os produzem localmente. Há um imenso caminho entre a semente e o nosso prato, o qual precisamos aprender e valorizar!

Além de conhecer, podemos incluir nas nossas refeições esses alimentos que expressam as realidades culturais do nosso país tão diverso. É preciso fortalecer as redes entre quem produz e quem consome, abraçando os princípios da sustentabilidade e da economia popular solidária. A sociobiodiversidade alimentar brasileira é formada por mulheres e homens do campo e da cidade, preocupados com o cuidado com o meio ambiente, com todos os seres que compõem a natureza e em como essas relações se estabelecem.

Baseado nisso, aconteceu em Brasília o Seminário de Construção de Mercados para Alimentos Bons, Limpos e Justos na Região Centro-Oeste Brasil, no Centro de Capacitação e Comercialização da Agricultura Familiar na sede da CEASA-DF, nos dias 24 e 25 de abril.

Participaram da atividade representantes de 3 Fortalezas e 2 Comunidades do Alimento do Movimento Slow Food da região Centro-Oeste e parceiros comerciais e em potencial, como restaurantes, instituições públicas de ensino e grupos organizados de consumo. A atividade visou proporcionar um espaço de articulação entre esses diferentes atores para a construção e fortalecimento de uma rede de cidadania agroalimentar, pautada na valorização da sociobiodiversidade, nos cuidados com o meio ambiente e com a saúde de quem produz e consome, no reconhecimento do saber fazer e no acesso à produtos de qualidade.

A programação foi articulada como um mosaico de atividades interativas, trocas de experiências e conhecimentos, tudo regado com muito afeto e representatividade. Os participantes receberam exemplares da cartilha Biodiversidade, Arca do Gosto e Fortalezas Slow Food publicado pelo Slow Food Brasil no âmbito do Projeto “Alimentos, Bons, Limpos e Justos”. Obra que apresenta os projetos e atividades desenvolvidas pelo movimento na valorização dos alimentos regionais e as comunidades que mantém os modos tradicionais de produção e consumo desses alimentos no país.

Dentre as atividades do dia 24/04, destaca-se a “Estação de Sabores” que proporcionou aos participantes um momento delicioso de degustação dos produtos de cada Comunidade do Alimento e Fortaleza. Eles tiveram a oportunidade de contar a história da sua produção e venda, e as dificuldades deste processo: “…eu estou ajudando a floresta a manter o pé dela”, compartilha Fiota, representante da Fortaleza do Gergelim Kalunga, localizada no território Kalunga, no estado de Goiás; “… o pequi depende da natureza mesmo, se esse ano dá mais pequi o ano que vem a gente já sabe que pode não dar muito” afirma Yaiku Suiá, representante da Fortaleza do Pequi do Xingu, localizada na Terra Indígena Wawi, Território Indígena do Xingu, no estado do Mato Grosso.

“A agricultura familiar é contadora de histórias da cultura do país por meio do alimento”, afirma Simone Santarém, representante da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD). As histórias de vida das mulheres rurais do Grupo Sabor do Cerrado, dos irmãos da Comunidade do Alimento Promessa de Futuro e do representante da Fortaleza do Baru do Urucuia Grande Sertão emocionaram a todos e mostraram as potencialidades da geração de trabalho e renda de forma sustentável, com respeito ao território ao qual pertencem.

Na manhã do dia 25/04, Marcella Berte e Cananda Braga, estudantes no curso de agroecologia do Instituto Federal de Planaltina, convidaram o pessoal do seminário a jogar! O jogo apresentou a importância do planejamento para o extrativismo nos territórios. Ainda durante a manhã, o apreço foi o sentimento que abraçou a todos com os diálogos realizados pela Rede CSA Brasília. A tecnologia social CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) é uma proposta inovadora de ressignificar as relações sociais a partir do alimento. Renata Navega e Idalécio Barbetta compartilharam as experiências da rede em Brasília, que possui aproximadamente um terço do total de CSAs do Brasil. “CSA é uma forma de criar vínculos entre quem está na cidade e quem vive no campo (…) começa com o mais difícil, que é estabelecer uma relação de confiança”, afirma Renata.

Fernanda Maschietto, também integrante da CSA Brasília, ampliou as discussões apresentando um desdobramento dessa tecnologia, as CSE (Comunidades que Sustentam o Extrativismo Sustentável). As CSE ainda estão no estágio de sementes, com a ideia de colocar os frutos do Cerrado como protagonistas das cestas de alimentos, elevando o consumo e preservando o bioma. Alinhado a essa experiência embrionária, Vinícius Pereira, integrante da ONG WWF Brasil e também desta rede, contou da experiência de inserção dos produtos da Cooperuaçu (Cooperativa dos Agricultores Familiares e Extrativistas do Vale do Peruaçu/Norte de MG) como produtos complementares na CSA Barbetta.

O restaurante Buriti Zen, chefiado pela cozinheira Ana Paula Boquadi, foi o palco do fechamento da programação com um almoço vegano e agroecológico, elaborado em parceria com a Aliança dos Cozinheiros Slow Food do Distrito Federal, coordenado pela chef de cozinha Eliane Regis, e o Convívio Slow Food Cerrado, com produtos trazidos pelos representantes das comunidades. No cardápio: salada com muitas PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), nhoque de buriti com molho de tomate e jacalinhada com pequi. O evento teve o intuito de arrecadar recursos para a participação dos agricultores e agricultoras familiares no Terra Madre Itália 2018. Também foi organizada uma feira para degustação e venda dos produtos dos agricultores e extrativistas presente em parceria com a Cooperativa Central do Cerrado.  

O seminário foi um exemplo de parceria e colaboração, cada etapa do processo de realização ocorreu de forma articulada com diferentes iniciativas. A equipe de comunicação do evento contou com a participação do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares – OBHA da Fiocruz Brasília, a mídia interdependente PorQueNão? e a Rede CSA Brasília. A produção de conteúdo sobre as histórias e compartilhamentos deste dia serão publicadas nas redes sociais do Slow Food Cerrado e desses parceiros.

Rede cidadã agroalimentar da região Centro-Oeste

A realização do seminário se insere no âmbito do projeto ALIMENTOS BONS, LIMPOS E JUSTOS: AMPLIAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR BRASILEIRA NO MOVIMENTO SLOW FOOD e resulta de uma parceria entre a Associação Slow Food do Brasil, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD). O mês de abril ficará na história de todos e todas que participaram desse evento, outros encontros como este ocorreram nas regiões Sul e Sudeste, na semana que vem ocorrerá o da região Norte. Celebramos essas tramas do bem que mostram horizontes de transformação social por meio dos modos de produção e consumo de alimentos agroecológicos e solidários!

Confira mais imagens na fanpage do Slow Food Cerrado.  

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I Encontro Nacional de Universidades Promotoras de Saúde começa hoje

I Encontro Nacional de Universidades Promotoras de Saúde começa hoje

*Texto adaptado de Ádria Albarado para UnB.

O I Encontro da Rede Brasileira de Universidades Promotoras da Saúde (Rebraups) será realizado nos dias 25 a 27 de abril a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (FS/UnB). Representantes de Instituições de Ensino Superior de várias regiões do Brasil vão se reunir com o objetivo de discutir sobre caracterização, gestão e integração de universidades promotoras de saúde por meio da Rebraups.

A FS/UnB, integrante da Rede Iberoamericana de Universidades Promotoras da Saúde (Riups) desde 2016, está conduzindo o movimento em parceria com a Reitoria da UnB. Na ocasião do Encontro, várias IES receberão o certificado de membro da Riups e em seguida, passarão a discutir a criação e a gestão da Rebraups.

O evento contará ainda, com a realização do III Seminário Internacional FS Promotora de Saúde e da I Mostra de Experiências Promotoras de Saúde. O objetivo da Mostra é divulgar trabalhos, produtos e experiências que envolvam os temas “Equidade, Sustentabilidade, Inovação e Participação social”, na perspectiva da promoção da saúde, principalmente, no contexto das universidades. Serão aceitos trabalhos e produtos nas modalidades de e-pôster, videominuto, photovoice e performance artística, realizados por estudantes, docentes, profissionais de saúde e comunidade em geral.

Confira a programação AQUI.

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Feiras livres renascem e remodelam relações, aponta pesquisa

Feiras livres renascem e remodelam relações, aponta pesquisa

Matéria por Caio Albuquerque, Jornal da USP.

A busca por uma melhor qualidade de vida passa necessariamente por mudanças de hábitos alimentares. O comportamento do consumidor em termos de suas escolhas de compra, preparo e manutenção de dietas saudáveis pode desempenhar um papel considerável para a realização de esforços dos produtores com vistas a uma produção mais atenta à saúde e ao meio ambiente, em particular com relações de maior proximidade, o que favorece uma oferta moldada constantemente ao gosto do freguês. As concepções de qualidade dos alimentos, mais especificamente no âmbito das feiras dos produtores (também denominadas mercados de proximidade), são o tema de uma pesquisa de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação Interunidades (Esalq/Cena) em Ecologia Aplicada, no campus da USP em Piracicaba. Um dos principais resultados encontrados foi o renascimento das feiras.

“Esse estudo teve como referência uma mudança recente no setor agroalimentar, identificada principalmente entre países europeus, de uma virada para a qualidade, o quality turn, que expressa uma crítica estética oposta à padronização do consumo. Trata-se de uma mudança fundada em princípio ecológico que se desenha contra os impactos gerados pela Revolução Verde [disseminação de novas práticas agrícolas que trouxeram grandes aumentos na produtividade]”, comenta a cientista de alimentos Manuela Silva Silveira, autora do estudo.

Com orientação do professor Paulo Eduardo Moruzzi Marques, Manuela analisou dois estudos de caso de mercados de proximidade, identificando como estão organizados e quais são os valores de qualidade dos alimentos neles atribuídos. “Com o mesmo intuito, analisamos as normas jurídicas que incidem sobre os dois casos, a partir do Sistema de Inspeção Municipal (SIM).”

A pesquisa observa um renascimento das feiras, seja por um fortalecimento da importância daquelas já existentes ou pela criação de novas na região da aglomeração urbana de Piracicaba.

“Os mercados de proximidade estudados, no caso as feiras de produtores de São Pedro e Rio Claro, representam espaços que permitem a construção de novas concepções em relação à qualidade dos alimentos.”

Segundo Manuela, a relação de venda direta, com o contato entre produtor e consumidor, é o elemento-chave para a construção desses novos referenciais, que se pautam principalmente numa relação de reciprocidade. “Assim, para além da troca econômica, esses mercados tendem a associar uma troca material a uma relação humana específica. Essa relação direta evidencia ao consumidor as múltiplas variáveis contidas na produção de alimentos, permitindo que este ator realize seu próprio processo de qualificação, a partir de sua formação e informações inferidas dessa troca.”

Através da proximidade com os consumidores, o produtor consegue transmitir informações sobre seu produto, exaltando seu modo de fazer, as dificuldades encontradas e superadas ou as características de sua terra. “No caso de São Pedro, encontramos uma ‘qualidade localizada’, onde a produção local, o conhecimento dos modos de fazer tradicionais, as receitas típicas e utilização de variedades nativas caracterizam a qualidade dos alimentos ofertados.”

De acordo com o estudo, trata-se de uma qualidade com grande base em convenções domésticas e ecológicas, na qual se misturam o cuidar da terra com a relação familiar. “Em Rio Claro, município com um perfil menos rural, ocorre um renascimento da produção local, tanto com produtores que sempre estiveram no setor quanto com ‘novos agricultores’. A qualidade encontrada ali é aquela de tipo especializada.” Neste caso, salienta Manuela, nota-se a diferenciação e valoração a partir da obtenção de selos de certificação, seja pelo Sistema de Inspeção Municipal, o qual certifica a produção artesanal, seja pela certificação da produção orgânica. “Assim, a qualidade do alimento processado é garantida pela especialização dos produtos assegurada pelo SIM, implementado no município.”

Com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o trabalho reforça o processo de reconexão entre pessoas, produto e lugar, dinâmica apontada como peça-chave nos mercados de proximidade. “Assim conseguimos revelar o significado dessas iniciativas em seus contextos, que estabelecem novos paradigmas para a alimentação e para a relação entre ser humano, natureza, alimentos e mercados.”

*Foto: Domingos Leonelli via Flickr.

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Acesse o documento “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá”

Acesse o documento “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá”

Se em todo o país o índice de insegurança alimentar, que mede a dificuldade de acesso a alimentos em quantidade e qualidade adequadas, é de 22,6%, em três comunidades Guarani e Kaiowá pesquisadas pela FIAN Brasil esse índice é de 100%. A informação consta no documento “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá – um enfoque holístico”, cujo Resumo Executivo será lançado no dia 16 de agosto, às 14 horas, no auditório 1 da Faculdade de Ciências da Saúde, da UnB, em Brasília.

O documento traz a análise das violações de direitos e suas diferentes causas, que são responsáveis pela situação de insegurança alimentar e nutricional dos Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Iniciada em 2013, a pesquisa socioeconômica e nutricional, com abordagem em direitos humanos, foi realizada em 96 domicílios de três comunidades indígenas: Kurusu Ambá, Ypo’i e Guaiviry.

A pesquisa e a releitura levaram cerca de três anos para serem concluídas, resultando em um trabalho extenso. O Resumo Executivo é uma forma mais amigável de apresentar os principais resultados deste trabalho.

Uma das constatações da pesquisa é a realidade alimentar de crianças e jovens Guarani e Kaiowá. Em 76% dos domicílios a pessoa entrevistada afirmou que, no mês anterior a setembro de 2013, houve ocasião em que crianças e jovens da casa passaram um dia todo sem comer e foram dormir com fome, porque não havia comida na casa. Já em 82% dos domicílios havia a afirmação de que esse grupo comeu menos quantidade de comida do que julgava ser necessário, porque não dispunham de recursos para obter alimentos.

Ainda, outro dado aponta que as famílias procuram proteger suas crianças desta terrível situação: em cerca de 80% das residências a pessoa entrevistada afirma ter comido menos para deixar comida para as crianças.

As causas das violações identificadas na pesquisa estão assentadas, além da negação do direito ao território e as disputas que daí decorrem, na discriminação que o povo Guarani e Kaiowá sofre. “Geralmente, as violações de direitos dos povos indígenas acontecem em razão de sua identidade cultural. Esta violação abre portas para negação de outros direitos, incluindo o direito à alimentação e à nutrição adequadas. Estas violações são históricas, estão associadas ao processo de exploração econômica do Estado e são de responsabilidade das três funções do Estado brasileiro, como procuramos evidenciar no documento”, ressalta a secretária geral da FIAN Brasil, Valéria Burity.

Acesse a publicação completa AQUI

Fonte: Fian Brasil