Guardiões de sementes crioulas: uma luta por autossuficiência, sabor e saber

Guardiões de sementes crioulas: uma luta por autossuficiência, sabor e saber

Juarez Antonio Felipe Perreira cultiva, em Barra do Ribeiro, sementes de variedades de arroz crioulo. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Nos últimos anos, vem crescendo no Rio Grande do Sul e em outros estados do Brasil o trabalho de um grupo de pequenos agricultores que se dedicam a manter saberes tradicionais e o patrimônio genético que marcam a história da agricultura no Estado. Os guardiões e guardiãs de sementes crioulas vêm resgatando e preservando não só sementes, mas também saberes e práticas agroecológicas que buscam diminuir a dependência da agricultura em relação aos atuais pacotes tecnológicos das grandes empresas transnacionais do setor, marcados pelo uso intensivo de agrotóxicos e outros insumos químicos. Uma mostra desse trabalho de resgate de sementes crioulas foi apresentada na gelada manhã deste sábado (21), na Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE), que ocorre semanalmente na rua José Bonifácio, em Porto Alegre.

Um dos princípios que orienta o trabalho dos guardiões de sementes crioulas é a busca da autossuficiência nas propriedades agrícolas, condição necessária para uma maior independência econômica e para assegurar a qualidade do que está sendo produzido. Franciele Menoncin Bellé, cuja família tem propriedade em Antonio Prado, fala sobre o significado desse princípio e também sobre um risco crescente que cerca o trabalho dos guardiões de sementes, a contaminação por transgênicos e híbridos. Em uma pesquisa recente feita pela Câmara Técnica de Agroeocologia do Estado, entre todas as propriedades produtoras de sementes analisadas, somente cinco tinham sementes crioulas não contaminadas. Todas as demais tinham algum tipo de contaminação.

“O trabalho que a gente faz é resgatar e plantar sementes. Todas as sementes que são produzidas são destinadas a garantir a autossuficiência da propriedade. Nós não comercializamos essas sementes. O que é fundamental na agricultura, principalmente quando se trata de sementes, é buscar a autossuficiência, garantindo à propriedade tudo o que ela necessita para produzir. Isso é importante porque aí você sabe exatamente o que está usando e tem a noção do que está produzindo, apesar de que, hoje, no caso do milho, temos informações que a maioria do milho crioulo do Estado já está contaminado por transgênicos. Isso é algo catastrófico, que fere diretamente o agricultor que se dedica a cultivar e cuidar de uma semente. As sementes de abóboras e morangas crioulas também estão sendo contaminadas pelas sementes de cabotiá e outras variedades híbridas”.

Os problemas relacionados à contaminação de sementes crioulas por híbridas não são os mesmos que em relação aos transgênicos. “Nós produzimos híbridos em pequena quantidade, coisas de que não conseguimos ter sementes crioulas, como pepino ou cenoura. No caso dos híbridos, já houve uma interferência na concepção das sementes. Eles não são tão bons quanto os crioulos. A gente percebe essa diferença no sabor, principalmente quando se trata de culturas mais simples como alface, tomate ou brócolis. Existe uma diferença muito grande de sabor. Então, quando a gente pode optar pelo crioulo, a gente escolhe ele. Quando não temos essa opção, acabamos usando híbridos também”.

“Existe uma diferença muito grande de sabor”

A família de Franciele Bellé resgata e planta sementes crioulas de milho, feijão, melancias, melões, abóboras, pimentas, alfaces, tomates, flores comestíveis e diversas plantas alimentícias não convencionais (as PANCs), entre outras. Ela destaca o caso do tomate para ilustrar o valor do que é produzido com essas sementes. “Uma das nossas principais sementes são as de tomate. São poucas as propriedades que ainda preservam e plantam as suas sementes. A maioria compra esses híbridos, que são aqueles tomates durinhos que a gente encontra em mercados. A minha mãe chama esses tomates de plástico. Eles são durinhos e não tem sabor. O crioulo, em compensação, apesar de ser um pouquinho mais mole, é carregado de sabor. A qualidade dele é completamente diferente”.

Só na propriedade da família, conta Franciele, há mais de 30 variedades de tomates crioulos e cerca de 12 variedades de abóboras. “O mais interessante de tudo é que, como a gente planta elas todas juntas, na propriedade mesmo vão se criando novas espécies. Isso também é uma forma de hibridismo, mas é diferente do híbrido manipulado em laboratório. No nosso caso, só a cruza daquelas duas espécies, naquele local, é que vai dar a terceira espécie. Muito possivelmente, ela só vai existir naquele lugar. São variedades únicas, como a gente chama”.

O processo de resgate e plantio de sementes crioulas é um trabalho que envolve descobertas sobre a história de ocupação dos territórios. O bisavô da mãe de Franciele Bellé trouxe da Itália algumas mudas de parreira. “Quando ele chegou aqui, na região de Bento Gonçalves, ele plantou essas parreiras que continuam ali até hoje. Elas são quase que bicentenárias. A gente percebe as que as mudas de híbridos que temos hoje, que vem acompanhadas de grandes promessas de produtividade e sanidade, não agüentam mais do que quatro ou cinco anos. Qual será a melhor? Essa híbrida que temos hoje, com uma produtividade por quatro ou cinco anos, ou aquela crioula que o meu tataravô trouxe da Itália e que continua lá até hoje?”, questiona.

Ela aponta um grande risco para a continuidade desse trabalho que são as propostas que tramitam no Congresso para proibir o livre plantio de cultivares e sementes crioulas. “Isso significa que, para continuar utilizando as sementes crioulas, o agricultor precisaria comprá-las de empresas terceirizadas. Se isso acontecer, vai acabar com a agricultura familiar. O agricultor vai perder o poder que tem hoje de cultivar sua própria semente. Se essas propostas forem aprovadas, a gente vai perder muito. Vemos hoje empresas, principalmente de fora do Brasil, que vem aqui, se apropriam da nossa biodiversidade e acabam patenteando ela. Isso é algo patético”.

Juarez Antonio Felipe Perreira sempre foi agricultor e, há 19 anos, participa da Feira dos Agricultores Ecologistas. Quando começou a participar da Feira, ele já fazia agroecologia há seis ou sete anos. Ele conta como iniciou o trabalho de plantio de sementes de arroz crioulo em Barra do Ribeiro, trabalho no qual já resgatou algumas variedades que estavam praticamente extintas:

“Quando cheguei aqui na rua com a minha produção nas mãos para ofertar ao público, comecei a perceber que existia uma outra forma de pagamento que não só a monetária, que é esse reconhecimento, carinho e agradecimento constante do consumidor com o agricultor pela oferta que ele aqui fiz. Isso foi algo fantástico para mim. Comecei a plantar lá esse amor que recebia aqui. Eu estava em uma banca com diversidade de arroz e precisava ofertar diversidade. Para isso, eu precisava ter sementes e variedades. Naquele momento, eu sabia onde estavam as pérolas. Estavam nas mãos dos pequenos agricultores que cultivam para o auto-sustento. Esse agricultor, na nossa região, nunca se preocupou em purificar uma semente. Ele cultiva o que gosta de comer. Havia um verdadeiro banco genético na mão desses agricultores”.

Por meio desse trabalho de pesquisa nas propriedades de pequenos agricultores, ele foi resgatando diversas variedades de arroz crioulo. Algumas foram descartadas, relata, mas outras se multiplicaram e deram uma resposta muito boa em termos de adaptação, produção e satisfação no prato do consumidor. “Essas variedades têm mais sabor pois, normalmente, são adaptadas ao cultivo sem fertilizantes, sem adubos. Elas têm ainda muita inteligência de se relacionar com o meio onde vivem. A minha família cultiva o arroz farroupilha (uma dessas variedades) há mais de 85 anos. Pelo que sei, há pelo menos duas variedades, o farroupilha e o japonês, que estão aqui no estado há mais de cem anos. Mas os que estão há mais tempo mesmo são os cultivos de arroz de sequeiro (no seco), que agora estou começando a pesquisar e cultivar. Eles estão há muito mais tempo aqui, mas as suas variedades não tem mais nome. Como o auto-sustento começou a sair de moda nas últimas três ou quatro décadas, essas variedades passaram a ser menos cultivadas e seus nomes foram se perdendo”.

A propriedade de Pedro Lovatto, em Farroupilha, está mais focada na produção orgânica de pequenas frutas vermelhas como morango, mirtilo, amora e framboesa, além de outras como figo, caqui e ameixa. Em sua grande maioria, elas se reproduzem por mudas e não por sementes. Mas, além dessa produção de frutas, ele é guardião de algumas sementes de alho crioulo, entre elas a do chamado alho macho, de feijão e de uma variedade de milho. O alho macho, conta, nas regiões de colonização italiana, se perpetuava debaixo dos parreirais. “Era muito utilizado na alimentação. Depois, com o advento dos herbicidas, principalmente o glifosato, ele desapareceu. Consegui resgatar e reproduzir essas sementes, o que leva muito tempo”.

Lovatto tem um cuidado especial para que as suas sementes crioulas não sofram contaminação, principalmente por variedades transgênicas. “Hoje em dia, infelizmente, quase todos os agricultores que plantam milho estão plantando transgênico, mesmo os pequenos. Eu tenho bastante cuidado para que não ocorra essa contaminação, ficando, por exemplo, bem atento à questão da época do plantio, para que ela não coincida com a dos cultivos transgênicos” .

O trabalho dos guardiões de sementes crioulas tem também a dimensão de resgatar e preservar saberes tradicionais e ancestrais dos territórios. Estudante do curso de Museologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e responsável pela organização de eventos na FAE, Camila Torres Brum destaca esse caráter, dizendo que mostras como a das sementes crioulas acabam dando à feira um caráter de “museu a céu aberto”, onde as peças em exposição são saberes que estão presentes nos alimentos.  “A Feira também é um meio de comunicação e de expressão de um patrimônio imaterial constituído pelos saberes dos agricultores. O conhecimento das sementes crioulas é passado de geração para geração e representa um movimento de resistência diante do modelo de agricultura proposto pelo agronegócio. Os agricultores detém esses saberes que acabam sendo materializados nos alimentos”.

Marco Weissheimer para SUL21.

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O visível e o invisível no corpo obeso | Trajetórias biográficas de mulheres do bolsa família

O visível e o invisível no corpo obeso | Trajetórias biográficas de mulheres do bolsa família

O artigo intitulado Trajetórias Biográficas do Aumento e Excesso de Peso de Mulheres do Programa Bolsa Família no Brasil escrito pelas pesquisadoras Denise Oliveira e Silva e Danielle Cabrini, integrantes do OBHA, é dos artigos que compõe o 28º volume da Revista Comunicação em Ciências da Saúde sobre Pesquisa Aplicada às Políticas Públicas de Saúde. O artigo é resultado de um estudo qualitativo que vem sendo realizado desde 2012 com cerca de 200 mulheres obesas entre 20 a 55 anos, identificadas pelos bancos de dados de acesso público do Programa Bolsa Família.

As autores, apresentam no artigo as reflexões oriundas das primeiras análises realizadas a partir da descrição de cinquenta narrativas biográficas de mulheres obesas beneficiarias do Programa Bolsa Família (PBF). Foram percebidas duas categoria analíticas, uma que consiste no corpo força, onde as mulheres enxergam que não podem ser magras porque precisam lidar com a luta do dia a dia; a segunda, é que essas mulheres irão se enxergar com o corpo obeso pelo olhar de terceiros: ou elas ficam doentes e vão procurar o serviço de saúde ou elas vão para alguma festa e a roupa não serve ou escutam do marido ou da familiar que elas estão acima do peso.

“O caminho biográfico como entendimento do corpo feminino obeso agrega fatores para além da biologia e fisiologia. A biografia alimentar e do corpo traz aspectos culturais, simbólicos e sociais para o fenômeno da obesidade”, afirma Denise, que já apresentou a pesquisa em vídeo na fanpage do Observatório. A pesquisa conta com um espaço de devolutiva para as mulheres entrevistadas chamado Histórias de Comer, as dúvidas são respondidas pela equipe por meio de vídeos e imagens ilustrativas.

A edição atual da revista publicada em 02/07/2018, se propôs a apresentar o resultado da produção técnico cientifica de pesquisadores da Gerencia Regional da Fundação Oswaldo Cruz (GEREB), que consolidam a área de pesquisa da instituição, com o intuito de analisar as contribuições técnico cientificas para política pública e para o Estado brasileiro.

Confira o artigo e a edição completa da Revista Comunicação em Ciências da Saúde.

FONTE: JULIA PLUS

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Evento da CODEPLAN divulga relatório da II Pesquisa de Identificação e percepção Social dos Usuários dos 14 Restaurantes Comunitários do Distrito Federal.

Evento da CODEPLAN divulga relatório da II Pesquisa de Identificação e percepção Social dos Usuários dos 14 Restaurantes Comunitários do Distrito Federal.

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN) promoveu no dia 26 de junho um evento para apresentar os resultados da 2ª pesquisa de satisfação que ouviu 7.264 usuários de Restaurantes Comunitários (RCs) do Distrito Federal.

A pesquisa foi realizada em parceria a Secretária de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTHMID) com o intuito de identificar a percepção social dos usuários dos 14 RCs do Distrito Federal.

A mesa de abertura do evento contou com a participação do Presidente da Codeplan, Lúcio Reno, do Subsecretário João Roberto Oliveira de Souza representando a Sedesthmid e das coordenadoras da pesquisa Rebeca Carmo Carvalho e a Diretora de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan Ana Maria Nogales. Os dados da pesquisa descritiva e transversal foram coletados no período de maio a junho de 2017 e o relatório com os resultados foi divulgado e debatido em uma mesa composta pelas coordenadoras da pesquisa citadas acima e por convidados especialistas dentre eles a professora da UNB e pesquisadora do OBHA Danielle Cabrine, a Kátia Cruz Godoy da CGAN.

Acesse o relatório e entenda melhor a importância dos RCs enquanto equipamentos públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, espaços potenciais para preservação de hábitos alimentares brasileiros e para realização de ações promotoras da saúde e troca de saberes.

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Fiscalização e controle de agrotóxicos é defendida por pesquisadora da Fiocruz em audiência na Câmara dos Deputados

Fiscalização e controle de agrotóxicos é defendida por pesquisadora da Fiocruz em audiência na Câmara dos Deputados

A construção de um sistema de fiscalização e controle de agrotóxicos foi defendida ontem (26/06) pela vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira, durante audiência pública da Comissão especial que analisa a proposta de criação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA). O projeto de lei 6670/2016 propõe a redução progressiva de agrotóxicos, o desenvolvimento de alternativas biológicas e naturais de defensivos agrícolas e o controle desses produtos.

A audiência reuniu seis mulheres pesquisadoras que apresentaram dados relativos ao impacto do uso de agrotóxicos no meio ambiente e na saúde. O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), presidente da Comissão, referiu que a recente aprovação do “pacote do veneno” em comissão na Câmara demonstrou um profundo desprezo pelo conhecimento científico produzido no Brasil e que “queremos por meio desse projeto de lei, mostrar que o País pode produzir alimento em grande quantidade sem precisar, para isso, envenenar a população brasileira”.

Denise Oliveira destacou a importância de um consenso metodológico para a estruturação do sistema de fiscalização e controle dos agrotóxicos. Observou que tal sistema deve monitorar todo o processo desde o registro até os impactos desses produtos nos trabalhadores e no meio ambiente. Marcia Sarpa, representante do Inca – Instituto Nacional do Câncer, corroborou esta argumentação destacando a necessidade de haver controle, monitoramento e responsabilização em toda a cadeia produtiva. Também defendeu a revisão periódica, a cada cinco anos, dos registros de pesticidas com exigência de apresentação de estudos atualizados e o fim da isenção fiscal para agrotóxicos. Hoje o registro do agrotóxico tem validade permanente.

A colocação no PNARA de mecanismos de denuncia unificados e simplificados, a exemplo de vídeos e fotos, e a previsão de medidas para os casos de contaminação coletivas foram defendidos por Naiara Andreoli, da ONG Terra de Direitos. Ela relatou uma série de casos de contaminação coletiva por agrotóxicos. Em março deste ano, uma borrifação aérea contaminou 350 famílias do Acampamento Helenira Rezende, localizado em Marabá, Pará –  disse Naiara ao destacar a necessidade de estabelecer zonas livres de agrotóxicos tais como as proximidades de áreas indígenas, de preservação ambiental, comunidades quilombolas e outras. Ela citou evento ocorrido em terras indígenas da comunidade de Pinhalzinho, no Paraná, que resultou no extermínio de abelhas Jataí. A comunidade sobrevivia da venda de produtos – mel, cera, etc. – que também eram utilizados para realização de cerimônias tradicionais.

Jacimara Guerra Machado, diretora de Qualidade Ambiental do IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais destacou os riscos para a saúde e o meio ambiente decorrentes da aprovação da PL 6299 (lei do veneno) desde a perda significativa de biodiversidade até a falta de reparo/indenização para danos ambientais.  Graziela Costa Araujo, gerente-geral de Toxicologia da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária destacou a importância de os organismos públicos analisarem previamente os produtos químicos e de se estimular o desenvolvimento de formulações menos tóxicas. Citou que a Anvisa já registrou 98 produtos para uso na agricultura orgânica.

Larissa Bombardi, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo- USP, apresentou pesquisa denominada “Geografia do uso do Agrotóxico no Brasil e Conexões com a União Europeia”. Enquanto os países europeus usam entre 0 a 2 kg de agrotóxicos por hectare na agricultura, no Brasil a média é de 8,33 kg de veneno por hectare, podendo chegar a 19 kg em lugares como Mato Grosso. A pesquisadora informou que o Brasil consome 20% de todo o agrotóxico vendido no mundo e teve um aumento exponencial nos últimos 15 anos, aumentando em 135% o consumo de venenos na agricultura, e passando a 500 mil toneladas em 2014.

Matéria: ASCOM Fiocruz Brasília | Fotos: Gustavo Bezerra

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Seminário discute nova rotulagem nutricional de alimentos para o Brasil

Seminário discute nova rotulagem nutricional de alimentos para o Brasil

Encontro será realizado em diferentes capitais tem o objetivo de auxiliar na participação da Tomada Pública de Subsídios (TPS), aberto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA para Rotulagem Nutricional de Alimentos

Acontecerá amanhã, 27 de junho, às 10h no auditório interno da Fiocruz Brasília o Seminário: Nova Rotulagem Nutricional de Alimentos para o Brasil. O evento faz referência a Consulta Técnica aberta pela ANVISA no dia 21 de maio deste ano.

Após um longo processo de discussão sobre a necessidade de melhorias na rotulagem nutricional nas embalagens de alimentos processados e ultra processados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu a fase de Tomada Pública de Subsídios (TPS) para ouvir especialistas e população interessados no tema. A regulamentação da rotulagem nutricional frontal de advertência como estratégia de saúde pública para auxiliar consumidores a fazer escolhas mais saudáveis e conscientes vem sendo adotada ou discutida em diversos países.

Os membros da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável realizarão eventos em diferentes capitais nos próximos dias para reforçar a proposta enviada pelo Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) à Anvisa em 2017, esclarecer dúvidas e orientar a participação na atual fase do processo. Os eventos acontecerão em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares – OBHA tem apoiado as ações da Aliança em difundir e fortalecer esse assunto para a sociedade brasileira. No dia 9 de maio foi realizado encontro, você pode conferir a live que foi transmitida pela nossa fanpage.

A Tomada Pública de Subsídios (TPS) é um mecanismo de consulta, aberto ao público, para coletar dados, informações ou evidências sobre o Relatório Preliminar de Análise de Impacto Regulatório (AIR), a fim de auxiliar a tomada de decisão regulatória pela Anvisa.  As contribuições são coletadas em formulário eletrônico que apresenta perguntas a respeito das informações contidas no Relatório de AIR: problema regulatório que se pretende solucionar, opções regulatórias para o alcance dos objetivos pretendidos e identificação e comparação de seus impactos, bem como ações de implementação e monitoramento.

Seminário: Nova Rotulagem Nutricional de Alimentos para o Brasil

DATA: 27.06

HORÁRIO: 10h

LOCAL: Auditório Interno Fiocruz Brasília

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ONU envia carta ao governo brasileiro alertando contra o Pacote do Veneno

ONU envia carta ao governo brasileiro alertando contra o Pacote do Veneno

Segundo documento assinado por cinco relatores, o pacote fere o direito do povo brasileiro a um ambiente seguro, limpo, saudável e sustentável, à alimentação, à água segura e à saúde física e mental

Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – O Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou ontem (18) documento em que manifesta uma série de preocupações com a aprovação do substitutivo do relator Luiz Nishimori (PR-PR) para o Projeto de Lei (PL) 6.299/02 e outros 29 apensados, o Pacote do Veneno, que revoga a atual Lei dos Agrotóxicos.

Assinado por cinco relatores especiais, a carta endereçada à diplomata Maria Nazareth Farani Azevêdo, ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira e o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), adverte o governo brasileiro que as modificações propostas ao atual marco legal sobre agrotóxicos “enfraquecem significativamente os critérios para aprovação do uso de agrotóxicos, ameaçando uma série de direitos humanos”, como a um ambiente seguro, limpo, saudável e sustentável, à alimentação, à água segura, saneamento e à saúde física e mental.

Os signatários, entre eles o relator especial para o direito humano à água e ao saneamento, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Minas Gerais, o brasileiro Léo Heller, fazem diversas críticas. Entre elas, a possibilidade que o Pacote abre para a fabricação de agrotóxicos no Brasil, para fins de exportação, mesmo daquelas substâncias ainda sem registro no país, o que “gera considerável preocupação, já que os agrotóxicos podem ser exportados para países sem um sistema adequado de redução de riscos para agrotóxicos.”

Eles destacam ainda a isenção de impostos concedidas para esses produtos, o que para eles estimula o uso, e a falta de prioridade para projetos de redução de agrotóxicos. É o caso do PL 6.670/16, que cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pnara), que ficou engavetado por mais de um ano até entrar em tramitação no início de junho.

A carta do Alto Comissariado é um reforço de peso para as mais de 250 entidades, associações, conselhos e órgão públicos, inclusive ligados ao governo federal, que atuam nas áreas de saúde, meio ambiente e direitos humanos, que já se manifestaram publicamente contra o pacote.

E demonstra a visibilidade internacional alcançada pela proposta rejeitada pela sociedade, encaminhada de maneira autoritária, sem o devido debate e que interessa apenas à bancada ligada ao agronegócio. Em nome de uma suposta defesa da agricultura nacional, seus defensores, todos integrantes da bancada ruralista no Congresso, defendem na verdade os interesses das indústrias do setor.

Trator

O comando da Comissão Especial da Câmara que analisa o relatório, também ligado à bancada ruralista, demonstrou constrangimento na reunião ordinária realizada hoje quando deputados contrários, entre eles Alessandro Molon (PSB-RJ), Ivan Valente (Psol-SP), Nilto Tatto (PT-SP), Assis do Couto (PDT-PR), João Daniel (PT-SE) e Bohn Gass (PT-RS) mencionaram o relatório da ONU entre tantos outros a alertarem para o perigo.

A reunião teve início às 10 horas – menos de 24 horas após o relator Nishimori divulgar a nova versãodo seu substitutivo, em uma clara tentativa de dificultar manifestações contrárias da sociedade e a atuação dos deputados opositores.

O texto, que sofreu pouquíssimas alterações desde que foi retirado da pauta, em 16 de maio, devido a pressões, substitui o termo “defensivo fitossanitário” por “pesticida” e devolve à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a participação na análise de processos de registro. Pela versão anterior, os órgãos de Saúde e Meio Ambiente tinham seu papel reduzido à simples homologação, ficando a pasta da Agricultura com o controle total do processo.

A reunião foi suspensa às 15 horas, por causa do início da ordem do dia. Com cinco horas de duração, foi marcada por argumentos frágeis e insuficientes dos defensores do Pacote. Segundo eles, a agricultura precisa de agrotóxicos mais modernos e que quem é contra essa “modernidade” é contra o Brasil. Já os opositores defenderam o debate cuidadoso e a observância aos alertas do Instituto Nacional do Câncer, Fundação Oswaldo Cruz, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Ibama, Anvisa, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e agora a ONU, entre outros. Os agrotóxicos contaminam os alimentos, o solo, a água de rios e aquíferos e, comprovadamente, são causadores de diversos tipos de câncer, malformações congênitas, doenças neurológicas, distúrbios reprodutivos e está associado à depressão, autismo de mal de Parkinson, entre outros.

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