Por que uma crise de abastecimento em tão poucos dias?

Por que uma crise de abastecimento em tão poucos dias?

Fonte: Le Monde Diplomatique por Elisabetta Recine*

Alimentar milhões de brasileiros passa por fortalecer a conexão entre a cidade e o campo. Pensar a segurança alimentar e nutricional é pensar no acesso, distribuição, disponibilidade, consumo e, portanto, formas de abastecimento. É estimular a diversificação de culturas.

Milhares de toneladas de alimentos perdidas, escassez de comida, disparada de preços. A paralisação dos caminhoneiros, iniciada na semana passada, e suas consequências, quase que imediatas, em termos de abastecimento é uma oportunidade para refletirmos sobre como organizamos os processos de produção e comercialização de alimentos no Brasil.

Na conta dos produtos perecíveis perdidos entram frutas, verduras, legumes, laticínios e carnes. Também estão sendo enfrentadas dificuldades para alimentar aves, suínos e bovinos, uma vez que o movimento dos caminhoneiros compromete o acesso a insumos. O clima de insegurança alimentar vivido nos últimos dias, entretanto, está longe de acabar. Após a normalização do transporte no País, a crise gerada pelo desabastecimento trará efeitos na inflação dos preços dos alimentos, decorrente da instabilidade provocada por um modelo de produção que privilegia a grande produção e as grandes redes varejistas. O sistema alimentar hegemônico se organiza a partir da lógica do circuito longo de produção e consumo. No circuito longo, a produção em grande escala está diretamente associada a um sistema complexo de logística que geralmente envolve percursos extensos e concentração do varejo em grandes unidades.

Sem consertar as causas, não há como tratar as consequências. A insegurança no abastecimento gerada pelo movimento dos caminhoneiros demonstrou a urgência da adoção de uma política de abastecimento alimentar capilarizada que fortaleça os circuitos curtos de produção e consumo. Os circuitos curtos estabelecem o contato, com poucas etapas, algumas vezes nenhuma entre  produtor e consumidor. A comercialização é feita em  feiras, lojas de associação de produtores, venda direta para grupos organizados, cestas entregues em domicílio, entre outras formas de comercialização. Permitem reforçar o aspecto público e a valorização de pequenos produtores, produtores agroecológicos e orgânicos e cooperativas.

Em um processo onde há dinamismo econômico local aliado a uma forma de produção sustentável, reduzindo ou eliminando por completo os agroquímicos da cadeia de produção, pratica-se uma agricultura menos intensiva, familiar e sustentável. A opção pelos circuitos curtos de produção reduz a “pegada ecológica” não só no modo de produção, mas também na cadeia de comercialização, diminuindo substancialmente a emissão de dióxido de carbono na atmosfera e a dependência dos transportes que se utilizam de combustíveis fósseis. A experiência dos circuitos alimentares de curta distância possibilita conectar e aproximar os locais de produção, armazenamento, distribuição e consumo de alimentos saudáveis e naturais. Em diferentes cidades, moradores se organizam para fazer compras coletivas de alimentos naturais e saudáveis diretamente  de produtores agrícolas locais ou de regiões próximas ao local de moradia.

Também testemunhamos o fortalecimento de organizações e grupos informais que promovem a agricultura urbana, estruturando hortas comunitárias em praças, parques, escolas e terrenos ociosos, criando alternativas de geração de renda, promovendo a ressignificação e a ocupação cidadã de espaços públicos, além do resultado direto de aumentar a disponibilidade de alimentos. Em sintonia com a busca por maior segurança alimentar e nutricional, o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, aprovado em 2014, redefiniu zonas rurais com o objetivo de ampliar a produção e consumo local de alimentos naturais e saudáveis, especialmente nas áreas de interesse ambiental e de proteção e recuperação de mananciais. A experiência demonstra a importância da atuação do poder público na construção de políticas de fomento à agricultura local, urbana profissional (comercialização) e de vizinhança (complementação alimentar).

Quando a comida vira objeto de especulação, fica difícil o seu acesso de maneira justa. Entre as recomendações da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada em 2015, em Brasília, está a instituição de uma política soberana de abastecimento alimentar, cujos componentes essenciais são a reestruturação das centrais de abastecimento e o fortalecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Não se pode minimizar os riscos de crise de abastecimento perante situações de calamidade ou conflito que dificultem ou impeçam a circulação dos meios de transporte utilizados para ultrapassar a distância entre a produção e o consumo, nos modelos tradicionais. É necessário fortalecer uma política de estocagem de alimentos, com o estabelecimento de plano de contingência que permita garantir o abastecimento da população brasileira em períodos críticos, com estabilidade de preços.

Alimentar milhões de brasileiros passa por fortalecer a conexão entre a cidade e o campo. Pensar a segurança alimentar e nutricional é pensar no acesso, distribuição, disponibilidade, consumo e, portanto, formas de abastecimento. É estimular a diversificação de culturas. É buscar a readequação da legislação sanitária de alimentos de origem animal e bebidas à produção artesanal, tradicional e familiar. É fortalecer o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. É garantir do acesso à terra e ao território, requisito fundamental para a redução das desigualdades no campo brasileiro e para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada.

No sábado (27), no auge da crise de abastecimento, fui ao Ceasa de Brasília temerosa do que (não) iria encontrar. Meu circuito é Mercado Orgânico e Mercado da Agricultura Familiar ― dois locais onde comprovo todas as semanas que, comprando do produtor, os preços de alimentos saudáveis sem veneno são justos e acessíveis. Ao me deparar com bancas repletas de alimentos e sem nenhum centavo de aumento no preço, perguntei a uma das produtoras como estava lidando com a “crise”. Ela me respondeu: “Nossa chácara é perto, tinha um pouco de gasolina na caminhonete, aí deu para vir com tranquilidade”. Simples assim.

* Elisabetta Recine é presidenta do Consea, professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora.

Pitada de Opinião, sessão composta por conteúdos produzidos pelo observatório sobre as dimensões simbólica, cultural e econômicas do alimento, incluem entrevistas, sugestões de livros, filmes e outros materiais, bem como, relatórios e documentos finais de pesquisas realizadas pelos integrantes do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin e/ou organizações parceiras.
Não queremos nem podemos comer mais veneno!

Não queremos nem podemos comer mais veneno!

Fonte: Le Monde Diplomatique por Elisabetta Recine*

PL 6.299/2002, em tramitação na Câmara dos Deputados, representa grandes retrocessos. A proposta reduz poderes do Ibama e da Anvisa e concede ao Ministério da Agricultura a competência para a liberação dos agrotóxicos, propõe a flexibilização do controle do Estado, retira a competência de estados e municípios para elaborar leis mais específicas e restritivas e libera qualquer agrotóxico aprovado em pelo menos três países da OCDE, além de propor a mudança na denominação dessas substâncias, que passariam a ser chamados “produtos fitossanitários” ou “produtos de controle ambiental”

A lógica industrial de produção da comida, que deveria alimentar nosso corpo e garantir nossa saúde, levou o Brasil a merecer o “título” nada honroso de “campeão” mundial em uso de agrotóxicos. Esses produtos – na verdade, venenos – são usados para eliminar espécies não consideradas desejáveis pelo grande produtor e, assim, aumentar a produtividade das lavouras. Eles já possuem isenções fiscais e outras concessões feitas pelo Estado. Agora, estão prestes a colher benefícios ainda mais generosos, caso seja aprovado o Projeto de Lei (PL) n.6.299/2002, em tramitação na Câmara dos Deputados, que “afrouxa” a atual legislação.

Trata-se de um pacote de medidas que representará grandes retrocessos. A proposta retira poderes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e concede ao Ministério da Agricultura a competência para a liberação dos agrotóxicos. O PL n.6.299/2002 também propõe a flexibilização do controle do Estado em relação ao uso de agrotóxicos, infringindo acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Além disso, o texto retira a competência de estados e municípios para elaborar leis mais específicas e restritivas, ferindo o pacto federativo nacional, e cria o Registro Especial Temporário (RET) e a Autorização Temporária (AT) para qualquer agrotóxico que tenha sido aprovado em pelo menos três países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), contrariando o princípio da precaução – imprescindível para produtos e processos que acarretem risco potencial às pessoas e ao meio ambiente.

O PL propõe ainda a mudança na denominação dessas substâncias, que deixariam de ser chamadas de agrotóxicos, palavra que seria depreciativa, e passariam a ser chamadas por uma expressão eufemística – “produtos fitossanitários” ou “produtos de controle ambiental” –, uma óbvia tentativa de dissimular os riscos, cada vez mais evidentes, que eles representam à segurança alimentar e nutricional, à saúde da população e ao meio ambiente.

A luta pela comida de verdade, não industrializada, sem veneno, é uma das bandeiras do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Defendemos a proibição de todos os agrotóxicos banidos em outros países e que ainda são usados no Brasil. O glifosato, por exemplo, já proibido em diversos países, circula livremente e é intensivamente utilizado no território nacional.

Defendemos, ainda, a aprovação do Projeto de Lei 6670/2016, apresentado na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, que cria a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNaRA). Apresentado na comissão pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o texto foi construído por entidades da sociedade civil e estabelece medidas de controle no uso desses produtos no país. Esse projeto é exatamente um contraponto ao que está em votação agora e prevê a transição progressiva do atual modelo de produção para sistemas baseados na agroecologia.

Atento às investidas de setores produtivos que privilegiam o lucro acima e apesar de tudo, sem preocupação com a saúde e o meio ambiente, o Consea tem feito recomendações a representantes dos poderes constituídos, chamando a atenção para os impactos provocados por esses compostos químicos que adoecem todo o sistema alimentar, desde o camponês até o consumidor final nas grandes cidades.

Nesse sentido, o Consea, um conselho formado em dois terços por representantes da sociedade civil, apoia a mobilização que vem sendo feita por centenas de organizações sociais, que assinaram um manifesto púbico contra a aprovação do chamado “PL do Veneno”. Senhores e senhoras deputados e deputadas, senadores e senadoras, nós não queremos comer mais veneno, queremos alimentação adequada e saudável, livre de agrotóxicos e transgênicos.

Estima-se que hoje cada brasileiro consome uma média de sete litros de agrotóxicos por ano, dado que tem relação direta com as 70 mil intoxicações agudas e crônicas no nosso país, segundo dados de um dossiê elaborado pela Abrasco. O Ministério da Saúde alerta que, para cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, há outros cinquenta não comunicados. Existem inúmeras evidências do impacto dos agrotóxicos tanto na saúde pública como no meio ambiente. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicou a relação direta entre o uso de agrotóxicos e diferentes tipos de câncer.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nota na qual se posiciona contra a aprovação do PL 6299. Para a Fiocruz, “a regulação de agrotóxicos não pode ser tratada de forma simplista, com a proposição de mudanças voltadas para atender aos interesses do mercado”.

Na verdade, o modelo adotado pela agricultura industrial brasileira é baseado no uso intensivo de recursos naturais, sementes transgênicas e agrotóxicos. Os grandes produtores são completamente dependentes desse modelo, mas a população brasileira não o precisa ser.

Existem, sim, alternativas de produção de alimentos adequados e saudáveis para toda a população. O que precisamos é ampliar o apoio a formas sustentáveis de agricultura que respeitam a biodiversidade, fortalecer os programas de assistência técnica que dão suporte à transição agroecológica e garantir o acesso à terra e ao território para produção de alimentos.

O setor ruralista alega que estas ações impactam no custo dos alimentos. Aqui fica a pergunta: quem de fato paga esta conta? A saúde pública, as gerações atuais e futuras, o meio ambiente? A agricultura familiar, as camponesas e os camponeses brasileiros produzem não apenas os alimentos que chegam nos nossos pratos, mas são também responsáveis por uma economia local sustentável. Não faltam evidências científicas, apelos de instituições competentes e organizações científicas e da sociedade civil contra esse PL. Sua aprovação é uma violação clara aos direitos à saúde e à alimentação adequada e saudável. Basta de veneno, queremos comer comida de verdade!

*Elisabetta Recine é presidenta do Consea, professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora.

Pitada de Opinião, sessão composta por conteúdos produzidos pelo observatório sobre as dimensões simbólica, cultural e econômicas do alimento, incluem entrevistas, sugestões de livros, filmes e outros materiais, bem como, relatórios e documentos finais de pesquisas realizadas pelos integrantes do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin e/ou organizações parceiras.
Mestranda da Fiocruz Brasília compartilha experiência de pesquisa sobre o Guia Alimentar para População Brasileira

Mestranda da Fiocruz Brasília compartilha experiência de pesquisa sobre o Guia Alimentar para População Brasileira

A entrevista de hoje é com a nutricionista e especialista em Saúde Coletiva pela Fiocruz Brasília, Ana Maria Thomaz Maya Martins. Compartilhando sua incursão acadêmica sobre o processo de consulta pública para o Guia Alimentar para a População Brasileira de 2014, a entrevistada discorre sobre a importância do Guia na perspectiva do conceito de Alimentação Adequada e Saudável. Ana é mestranda em Políticas Públicas em Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz e também integra a equipe de pesquisadoras associadas ao Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares. É assessora em Advocacy na ACT Promoção da Saúde e pesquisadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília, tendo atuado com as temáticas de Educação Alimentar e Nutricional(EAN), Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e Mídia, Alimentação e Nutrição (Grupo PropagaNut). Confira a entrevista:

1) O seu tema de pesquisa é relacionado ao “Guia Alimentar da População Brasileira (GAPB). Você considera que é um tema de interesse para as políticas públicas? Porque?

Dentro das políticas que convergem para o alcance da Segurança Alimentar e Nutricional, o Brasil conta com a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN). Publicada no final dos anos 90. A PNAN marca uma etapa importante para a saúde pública no Brasil, pois percebe a necessidade de tratar de programas e ações direcionados aos dois extremos que envolvem a alimentação e a nutrição, estando de um lado a fome e a desnutrição e de outro, o excesso de peso. Enquanto parte da população sofre com a fome e a desnutrição, o excesso de peso aumenta. É nesse contexto que a PNAN destaca a alimentação e a nutrição como requisitos para promoção e proteção da saúde. A promoção da alimentação adequada e saudável aparece como um dos componentes da promoção da saúde, englobando medidas de incentivo, apoio e proteção que promovam e facilitem a adesão à práticas alimentares saudáveis.

É nesse contexto que se percebe a necessidade de qualificação da agenda de promoção da Alimentação Adequada e Saudável (AAS). Assim, o Guia Alimentar para a População Brasileira é lançado, associando a alimentação à aspectos biológicos e socioculturais. Essa associação fica ainda mais clara quando o Guia é reformulado em 2014 e os alimentos passam a ser classificados de acordo com o seu nível de processamento. A nova classificação contribui para a escolha dos alimentos e dá protagonismo ao olhar sobre o sistema alimentar, nesse processo. O objetivo do Guia é permitir que as pessoas reconheçam os alimentos a partir do nível de processamento e prefiram os alimentos in natura e/ou minimamente processados. Assim, a AAS continua considerando aspectos biológicos, mas também entende que está relacionada à forma de produção do alimento, como ele chega até uma pessoa ou uma família, como ele será consumido e, até mesmo, quanto e que tipo de resíduo é produzido.

Nessa perspectiva, de entendermos a alimentação dentro de um sistema, o Guia Alimentar permite uma ampliação do diálogo entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), e nesse diálogo são incluídos famílias, profissionais de saúde, gestores e formuladores de políticas públicas e o setor produtivo de alimentos.

Assim, percebo o Guia como um instrumento de Educação Alimentar e Nutricional, mas também, como uma qualificação da PNAN e da PNSAN, que transmite por meio de uma linguagem simplificada o que é uma alimentação saudável, desmistificando calorias e nutrientes e contribuindo no processo de escolhas alimentares mais saudáveis e conscientes.

2)    O que te motivou investigar o GAPB como objeto de pesquisa e porque focou nas contribuições da sociedade civil?

Por definição, Guias Alimentares expressam os princípios da educação alimentar e nutricional, por meio de alimentos, cujo propósito é educar a população e guiar as políticas públicas de alimentação e nutrição, assim como os profissionais que promovem a alimentação adequada e saudável. Os Guias se fazem necessários quando se percebe a associação das práticas alimentares e dietéticas à distúrbios relacionados à alimentação e à nutrição, sejam de deficiência ou de excesso. Assim, a relevância desse material no atual cenário epidemiológico, no Brasil, motiva o interesse da investigação.

A relevância do documento é tamanha, que o Ministério da Saúde percebeu a importância de discutir o tema com a população, abrindo o processo de revisão do Guia, para contribuição e participação social. Sendo essa, a maior etapa de participação e diálogo com a sociedade, sobre o documento. Além disso, mesmo que breve, acredito que o Guia abriu um espaço de escuta sobre o que é uma alimentação adequada e saudável no Brasil, a partir de pessoas que não estavam envolvidas no processo de revisão e que ainda não tinham sido ouvidas, mas que podem contribuir para qualificação do material, trazendo uma perspectiva “brasileira”.

3)    Descreva de forma sucinta o objeto, os objetivos e o desenvolvimento da pesquisa?

O meu objeto de pesquisa é o Guia Alimentar para a População Brasileira, reformulado e lançado em 2014. A partir dele, meu objetivo analisar as contribuições feitas sobre os princípios e recomendações apresentados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, durante o processo de consulta pública, realizado em 2014 pelo Ministério da Saúde.

A pesquisa terá início com a construção de um marco teórico para conhecimento sobre o processo de construção de Guias Alimentares no Brasil e no mundo. Além disso, as contribuições feitas pela sociedade civil, durante a consulta pública, serão analisadas pela perspectiva qualitativa, a partir de um software que permite a criação de categorias analíticas. Por fim, acredito que esse processo permitirá uma reflexão sobre a participação da sociedade civil, na construção de políticas públicas e seus instrumentos, como é o caso do Guia.

4) Quais contribuições você espera oferecer a sociedade brasileira com sua pesquisa?

A pesquisa está em construção e acho difícil criar muitas expectativas quanto às entregas, mas acredito que a ideia principal seja compreender melhor o processo de participação social que é aberto e utilizado por diversos órgãos da administração pública, quando revisam ou constroem suas políticas. Incluindo discussões sobre inclusão ou não das contribuições e dos critérios que são utilizados, no caso, pelo Ministério da Saúde para avaliar a pertinência das contribuições.

 

Referências

Silva A, Maria M, Maria G, Lima D, Jaime C, Júnior S. A implementação das prioridades da Política Nacional de Promoção da Saúde, um balanço, 2006 a 2014. Cien Saude Colet. 2014;19(11):4301–11.

Dias PC, Burlandy L. Obesidade e políticas públicas: concepções e estratégias adotadas pelo governo brasileiro. Cad Saude Publica. 2017;33(7):1–12.

Vasconcellos AB, Recine E. Políticas nacionais e o campo da Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva: cenário atual. Cien Saude Colet. 2011;16(1):73–9.

Caivano S, Lopes RF, Martins S, Domene Á. Conflitos de interesses nas estratégias da indústria alimentícia para aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e os efeitos sobre a saúde da população brasileira Conflicts of interest of the strategy of food industry to increase the consumption of ultra- processed foods and the health effects of the Brazilian population. 2017;12(2):349–60.

Pitada de Opinião, sessão composta por conteúdos produzidos pelo observatório sobre as dimensões simbólica, cultural e econômicas do alimento, incluem entrevistas, sugestões de livros, filmes e outros materiais, bem como, relatórios e documentos finais de pesquisas realizadas pelos integrantes do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin e/ou organizações parceiras.

Na terra das pizzas e gelatos, como os italianos conseguem se manter o povo mais magro do Ocidente?

Na terra das pizzas e gelatos, como os italianos conseguem se manter o povo mais magro do Ocidente?

*Texto da repórter Luiza Belloni para o HuffPost Brasil.

É difícil falar da Itália sem pensar nas deliciosas e tradicionais massas frescas, pizzas, gelatos e lasanhas que ganharam fama mundo afora.

Apesar de o nosso imaginário sobre o país remeter às “mamas” rechonchudas na cozinha com o batido avental branco, o que dá a entender que o país das massas e vinhos incríveis é um país de obesos, os italianos são magros e muito saudáveis.

A Itália é o terceiro país que apresenta a menor taxa de obesidade de todo o mundo, e só perde para os orientais Coreia do Sul e Japão. De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a taxa é de 9,8% — bem diferente da taxa dos Estados Unidos, onde 38,2% da população é obesa. No Brasil, mais da metade dos adultos (54,1%) estão com sobrepeso, sendo 20% deles obesos.

Ironicamente, algumas das comidas preferidas dos americanos (e dos brasileiros) são pizza e massas. Então, o que explica o inventor destas obras-primas ser um país de magros e os que “replicam” suas receitas não terem o mesmo destino?

Para início de conversa, as pizzas que tanto conhecemos e adoramos (principalmente os paulistanos) não têm nada a ver com a tradicional — está mais para a pizza americana. Com bordas recheadas, tamanhos gigantescos, muito recheio processado e massa bem grossa, as pizzas brasileiras são uma explosão calórica, enquanto na Europa, a pizza é mais “delicada”, com massa fina, recheios moderados e frescos.

Os alimentos frescos, por exemplo, são um dos motivos que ajudam a manter as silhuetas dos italianos. Regra máxima de uma “famiglia tradizionale” é comprar alimentos naturais, frescos, diretos de produtores em feiras a céu aberto ou em mercadões.

Não é difícil encontrar um mercado de produtores locais em qualquer cidade na Itália. “Apesar da cozinha italiana ser reconhecida no exterior por seus pratos bem calóricos, nossa dieta tradicional é a Mediterrânea (rica em frutas e vegetais)”, explica a jornalista especializada em alimentação e comida do HuffPost Itália, Silvia Renda. “Nosso país é dono de uma das mais ricas e prósperas agriculturas de toda a Europa, e em nossa mesa sempre há espaço para produtos locais. Não apenas comprados em supermercados, mas comprados diretamente de produtores.”

Nem comida congelada os restaurantes italianos podem servir sem informar previamente seus clientes. Neste mês, a Suprema Corte italiana decidiu que os restaurantes deverão especificar no menu quais de seus produtos são conservados no congelador, sob multa de 2 mil euros, e nos casos mais graves, prisão.

A experiência de comer bem

Os italianos não só prezam pela qualidade dos alimentos, como também pela qualidade de tempo para apreciá-los. Diferentemente de outras culturas ocidentais, que com a correria do dia a dia acabam pulando refeições ou recorrem aos fast-food ou snack (quem nunca almoçou uma coxinha ou um miojo?), os italianos reservam o horário de almoço para sentar em uma mesa e comer com calma.

Assim como na Espanha, algumas cidades italianas também fazem a “siesta” e fecham qualquer estabelecimento (até igrejas!) para ter uma ou duas horas de descanso depois da refeição.

Mas não pense que tanto tempo serve para comer muito. Pelo contrário: eles param de comer quando estão satisfeitos e as porções não são enormes como as do Brasil. Muitas pessoas na Itália também não estão preocupados com as calorias que consomem, muito menos são consumidores assíduos de produtos diet light. Para eles, o grande aliado de uma dieta saudável é a moderação.

“Sim, eu como macarrão todos os dias. E, às vezes, como massa na entrada e, depois, ainda como uma carne no prato principal”, disse Elizabeth Minchilli, americana que vive em Roma e autora do livro Eating Rome: Living the Good Life in The Eternal City(“Comendo em Roma: Levando uma Vida Saudável na Cidade Eterna”, em tradução livre).

Ao Los Angeles Times, ela conta o segredo:

“A massa que todos nós comemos vem em uma controlada porção. Quando o assunto é comer macarrão, italianos são bem conscientes. E aqui está uma simples fórmula a seguir: 100 gramas ou menos de massa por pessoa. Essa é uma porção que você nunca verá em um restaurante nos Estados Unidos.

Junto com as porções moderadas, eles também consomem muitos vegetais, mais carnes brancas do que vermelhas, como frango e peru, e boas gorduras, como azeite de oliva extravirgem.

Outra coisa interessante é o respeito à sazonalidade dos produtos, o que significa priorizar alimentos mais naturais (sem conservantes, nem agrotóxicos) em grande variedade em todas as estações do ano.

“Os italianos preferem alimentos orgânicos e a dieta varia com as estações do ano, focando nos produtos sazonais”, diz a italiana Silvia Renda, jornalista especializada em alimentação e comida do HuffPost Itália. Segundo Renda, nos últimos anos, cresceu a curiosidade por comidas mais exóticas e novos sabores. “Há interesse em experimentar novos alimentos artesanais, em vez de comidas pré-preparadas.”

Xô, preguiça

Além de manter uma alimentação balanceada e preferir produtos frescos e comidas feitas em casa, os italianos também levam uma vida ativa. Quando estive na Europa, pouco tempo atrás, me impressionei com o quanto as pessoas preferem caminhar e andar de bicicleta. E na Itália é exatamente assim.

Por centenas de motivos (como falta de segurança e falta de infraestrutura urbana), os brasileiros andam pouco pelas ruas e preferem usar meios de transporte para ir a lugares — completamente diferente dos europeus. Não é difícil encontrar pessoas indo para o trabalho a pé, indo ao supermercado, padaria, entre outros lugares rotineiros.

Um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que os brasileiros são uma das nacionalidades mais “preguiçosas” do mundo. Obtendo dados dos celulares da população mundial, a pesquisa mediu a média do número de passos dos diferentes países, e o Brasil ficou muito abaixo da média.

Na lista com 46 países, liderada por Hong Kong (6.880 passos, em média, por habitante), a Itália aparece em 13º lugar entre os países mais ativos do mundo, com 5.296 passos por pessoa. Já o Brasil está na 40ª posição, com uma média de 4.289 passos.

Depois de tantos cuidados com alimentação e bem-estar, saborear uma massa al dente com molho pesto, acompanhada por uma taça de vinho italiano, vai parecer que, de fato, você está seguindo à risca sua nova dieta. Sem peso na consciência.

 

Pitada de Opinião, sessão composta por conteúdos produzidos pelo observatório sobre as dimensões simbólica, cultural e econômicas do alimento, incluem entrevistas, sugestões de livros, filmes e outros materiais, bem como, relatórios e documentos finais de pesquisas realizadas pelos integrantes do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin e/ou organizações parceiras.
O desmaio de fome e a despolitização da austeridade

O desmaio de fome e a despolitização da austeridade

*Por Lucas Prates, assessor de direitos humanos da FIAN Brasil.

“Quando a gente percebeu que era fome, eu saí de perto para chorar. O rapaz do Samu me olhou com uma cara de ‘que realidade é essa?’. E eu disse que é sempre assim. Eu tenho dois alunos que todos os dias reclamam de fome”. (Ana Carolina Costa, professora do 2º Ano Fundamental da Escola Classe 8, Cruzeiro/DF)

Uma criança desmaiou de fome dentro de uma escola do Distrito Federal (DF). Além de escandaloso, o caso ocorrido no dia 13 de novembro é também emblemático para caracterizar o Brasil em que vivemos atualmente.

A criança, um estudante de 8 anos de idade, desmaiou de fome na Escola Classe 8, localizada a meros 11 km da Esplanada dos Ministérios, centro do poder político nacional. O governo do DF, responsável pela instituição de ensino, chegou a afirmar em forçosa nota que a criança não teria desmaiado, mas que estava meramente “molinha”. Despolitizando completamente a situação, o governador Rollemberg declarou em seguida que não se tratava de uma questão de competência da escola, mas sim da família da criança.

Analisando o caso, três fatores sobressaem:

  1. a situação de pobreza em que se encontra a família da criança;
  2. a falta de escolas na região em que essa família vive, somado ao grande deslocamento até outra instituição de ensino;
  3. a falta de alimentação adequada na escola em questão.

Não é preciso muito para confirmar que os fatores acima são puramente políticos. Ex-catadora de materiais recicláveis, a mãe da criança está desempregada e cria sozinha seis crianças; recebe o valor mensal de R$ 946 de programas de assistência social, mas reclama que os custos de vida são muito altos – para efeitos de comparação, uma cesta básica de alimentos no DF custa atualmente cerca de R$ 400. A família foi beneficiada com um apartamento do Minha Casa, Minha Vida no ano passado, contudo na localidade onde o empreendimento foi construído (Paranoá Parque) não há escolas, hospitais ou outros equipamentos públicos, muito menos empregos.

Os fatos são confirmados pelas declarações do governo distrital, que promete construir uma escola na região nos próximos anos. Enquanto isso, 250 estudantes da região são transportados 30 km todos os dias para a Escola Classe 8 do Cruzeiro, localizada do outro lado do DF. Tal escola, por sua vez, oferece como lanche somente biscoito e suco no meio da tarde, situação escandalosa na unidade da federação com maior renda per capita do país. Ainda, não há almoço para aquelas crianças que precisam sair de casa por volta de 11h da manhã para chegar a tempo da aula, no início da tarde.

A análise do caso comprova o que a FIAN vem defendendo há tempo: deve-se pensar a alimentação e a nutrição de uma maneira que seja holística e centrada na realização deste e de outros direitos humanos; políticas públicas, portanto, devem ser construídas com base nessa visão. É responsabilidade do Estado brasileiro, em última análise, garantir a existência e funcionamento adequado de creches, escolas e outros equipamentos públicos. Assim como é responsabilidade estatal garantir o direito à educação, onde se inclui o fornecimento de merendas adequadas e saudáveis, especialmente quando se trata de crianças em situação de vulnerabilidade social.

Para tudo isso, e muito mais, o Estado precisa de recursos financeiros. Contudo, o contexto de políticas de austeridade em que fomos (forçosa e golpeadamente) colocados nos empurra no sentido contrário: a Emenda Constitucional 95 congelou os gastos com políticas sociais, como aquelas que fariam a diferença neste caso, pelos próximos 20 anos. Análise da FIAN Brasil com outras organizações, baseada em estudo do IPEA, indica que em poucos anos o orçamento de alguns ministérios não conseguirá cobrir sequer as políticas públicas mais básicas consagradas na Constituição Federal, como o Benefício de Prestação Continuada.

Nesse cenário, é sintomático que governantes tentem despolitizar assuntos como a alimentação, a exemplo do que fez o governador do DF: para eles e para boa parte do grande capital que os financia, é interessante que a opinião pública não ligue os pontos entre austeridade, diminuição dos recursos para políticas sociais e aumento da pobreza, miséria e fome, entre outros. Tal prática corre junto com os discursos sobre um menor papel do Estado e uma maior responsabilização do indivíduo – questões que vão pautar o cenário eleitoral em 2018.

O resultado de tudo isso são desmaio(s) de fome, aumento do desemprego, da pobreza e da violência, como já indicado por vários estudos. Resta à população, em conjunto com a sociedade civil progressista, repolitizar estas e tantas outras questões.

 

Pitada de Opinião, sessão composta por conteúdos produzidos pelo observatório sobre as dimensões simbólica, cultural e econômicas do alimento, incluem entrevistas, sugestões de livros, filmes e outros materiais, bem como, relatórios e documentos finais de pesquisas realizadas pelos integrantes do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura – Palin e/ou organizações parceiras.
Alimentação na mídia: os discursos ecoados em programas televisivos

Alimentação na mídia: os discursos ecoados em programas televisivos

Luis Eduardo de Oliveira (*)

A Nutrição está em pauta. Definitivamente! A quantidade de artigos científicos publicados em periódicos cresceu muito em relação a décadas passadas. Fazendo uma rápida busca apenas pelo termo na plataforma PubMed[1], é possível encontrar 7.821 resultados somados até o fim do ano 2000; 13.269 até o fim de 2010 e, impressionantes 31.083 resultados para o tema até o fim de 2017, fora os artigos que tratam da temática, as não a trazem de forma explícita na forma de palavra-chave.

Este fenômeno também é possível de se observar em outros espaços e plataformas mais comuns à população como revistas e jornais, sites especializados, programas televisivos e redes sociais. Seja em mídia impressa ou digital, o assunto é bem popular. Mas por que será? Será que as pessoas estão buscando cada vez mais uma alimentação prazerosa, equilibrada e saudável? Estão buscando formas de desenvolver sistemas alimentares mais sustentáveis do ponto de vista ambiental e socioeconômico? Estão buscando alternativas não medicamentosas para prevenir e tratar doenças? Ou estão buscando longevidade?  Corpos sarados e definidos para gozar de um status social?

Neste contexto, um importante personagem surge entre conhecimento científico e o público leigo: o nutricionista. Ele legitima aquilo que é produzido como ciência e o traduz para ser aplicado à rotina alimentar das pessoas, seja em espaços coletivos ou individuais. Porém, apesar de possuir uma importante interface com as ciências sociais, culturais e comportamentais, a Nutrição é fortemente ancorada nas ciências biomédicas, o que faz dela muitas vezes um instrumento de controle, de regulação dos corpos e de consumo, ou em outras palavras, de biopoder.

Por meio deste questionamento procurei, em meu trabalho de conclusão de curso, identificar as narrativas produzidas por nutricionistas na mídia, e escolhi o programa Bem Estar (da Rede Globo de Televisão) como espaço para esta análise. Ao assistir os programas e catalogar os dados, um fato já me chamou atenção: a relevância das falas de médicos para legitimar a narrativa sobre o tema alimentação e nutrição produzida no programa. Das edições escolhidas para análise, esperava uma maior participação dos nutricionistas para falar das temáticas relacionadas à alimentação e nutrição, mas o tempo de fala dos médicos foi quase que o dobro do de nutricionistas. O problema ainda estava para além disso. Os próprios conteúdos das falas produzidas por nutricionistas refletiam o discurso biomédico tratando especificamente de questões que envolviam emagrecimento, controle de peso, prevenção e tratamento de doenças, calorias e propriedades funcionais dos alimentos, e praticamente desprezavam questões sensoriais, culturais e sociais que envolvem temática.

Tal fato se associa com a ideia de biopoder, descrita por Foucault, uma vez que se configura na produção de corpos saudáveis, esbeltos e consumidores de calorias e macronutrientes, regulados pelas regras e normativas prescritas no meio médico. Porém seres humanos não são apenas corpos formados por tecidos biológicos e reações bioquímicas, e o conceito de saúde já evoluiu o bastante para considerá-la apenas por ausência de doença. Nesta direção o discurso produzido pelo Guia Alimentar para a População Brasileira – 2ª Edição, fortalece a ideia de que a alimentação saudável e equilibrada deve ser pautada na construção de hábitos saudáveis, na cultura regional, na palatabilidade e no equilíbrio entre nutricional e sensorial, além de considerá-la como um subproduto de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis. Vai além do controle calórico e nutricional e da prescrição punitiva e proibitiva.

Infelizmente é possível fazer um paralelo entre a forma de manifestação midiática de médicos e nutricionistas participantes do programa. Ambos oferecem um serviço que atende muito bem as demandas mercadológicas de setores da indústria de medicamentos, alimentos e suplementos. Muitas vezes existe um conflito ético sobre qual é o objeto de trabalho destes, pois é possível de observar profissionais atuando como reguladores de consumo de produtos produzidos por aqueles setores, legitimando o uso e o consumo por meio da narrativa técnico-científica. Agora, a partir do momento em que o objeto de trabalho passa a ser a saúde, em seu aspecto holístico, esta forma de atuação pode mudar. E para isso é importante que seja agregada a compreensão da ética neste contexto e do princípio de interesse primário na atenção em Nutrição: a saúde da população.

Neste contexto, os profissionais de saúde devem acompanhar além das novas análises e diretrizes produzidas pela comunidade científica, os documentos públicos, produzidos com a participação da sociedade civil, como no caso do Guia Alimentar para a População Brasileira, bem acompanhar as demandas sociais para estabelecer suas condutas questionando sempre para quê e para quem estão a serviço: da sociedade ou do mercado.

 

REFERÊNCIAS:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2ª edição: Brasília. DF; 2014.

Foucault M. Microfísica do Poder. 15ª edição. Rio de Janeiro: Graal; 2000.

OLIVEIRA, Luís Eduardo Vieira Neves de. Bem estar? O que um programa televisivo tem a dizer sobre a alimentação. 2015. 23 f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Nutrição) – Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Rede Globo de Televisão. Programa Bem-Estar. Disponível em Acesso em: nov. 2015.

[1] PubMed é um serviço da U. S. National Library of Medicine (NLM). Inclui cerca de 21 milhões de citações de artigos de periódicos. O maior componente é a Base de dados MEDLINE que indexa cerca de 5.000 revistas publicadas nos Estados Unidos e mais de 80 outros países. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/

(*) Luís Eduardo é nutricionista graduado pela Universidade de Brasília – UnB e pós graduando em Vigilância Sanitária.