A escolha alimentar contemporânea como expressão de BIOPODER

EDITORIAL | As escolhas, o autocontrole e a culpa na pletora alimentar contemporânea como expressão de biopoder

Nesta edição a sessão “Fome de Saber” optou por dialogar sobre as escolhas, o autocontrole e a culpa na pletora alimentar da sociedade como expressão de biopoder.

Seria possível refletir o medo dos riscos que se revelam na alimentação e em novas morais corporais? Ainda precisamos refletir e estudar. Para pensar como os aspectos biológicos representam-se por meio de estilos de vida das sociedades industriais, como simulacros da ideologia econômica e política orientada pela ideologia neo-liberal que traduz a profusão de alimentos como uma promessa de comida para todos (que podem consumir) e que contribui para fome e a miséria pela exclusão social (daqueles que não podem consumir).

Ao mesmo tempo que existe a profusão de opções alimentares, estas se revelam como expressões de ansiedade e inquietações, porque não sabemos, ou talvez estejamos aprendendo a gerenciá-las com as necessidades biológicas contemporâneas que também se modificaram?

Com esta temática buscaremos estimular a reflexão se estamos vivendo o gap de aprendizado desta experiência, que se traduz por novos constructos de compreensão desta problemática.  Relacionados ao sentido das escolhas, do auto-controle e da culpa atribuída pelas recomendações cientificas e das políticas publicas?

Há ressonância destas questões na sociedade contemporânea, denominado como Biopoder cunhado por Michel Foucault no século XX. A ciência da alimentação, nutrição e saúde, tem sido os simulacros ideológicos dos aspectos racionais biológicos e trazem o prazer e a comensalidade como aspectos de risco de viver. Associado a isto, a sociedade midiática se apropria dos achados científicos de forma contraditória, tanto como expressão de escolhas saudáveis como também pelo incentivo ao consumo de alimentos não saudáveis. E ainda se coloca como elemento de discurso de autocontrole da vida e do corpo, contribuindo para o incremento de novas morais biológicas de regulamentação do comer e da imagem corporal apoiada nos ditames do medo e da culpa dos riscos sobre a vida.

Esperamos contribuir com esta reflexão que se revela em sua complexidade multicausal para a afirmação da humanização do comer e do viver. Pois acreditamos que esta reflexão pode nos aproximar da alimentação como ato de comunhão responsável com os seres vivos que habitam o Planeta Terra.

Editoria Temática

A editora temática dessa edição é Denise Oliveira e Silva. Denise Oliveira e Silva é nutricionista, pós doutora em antropologia da alimentação, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz de Brasília, coordenadora do Programa de Alimentação Nutrição e Cultura (Palin) e do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA).

Textos da edição

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